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Opinião

Micael Sousa* Voltar

12:29 - 24 Maio 2018
A cidadania ativa pode ser divertida

A cidadania ativa pode ser divertida

A cidadania ativa pode ser divertida Já gastei horas imensas da minha vida em múltiplos processos de participação cívica e política.

Uma grande parte desse tempo foi aborrecida, chata e quase suficiente para não querer participar mais. Se não considerasse essa participação muito importante, para além de todos os momentos de tédio que já referi, já há muito tempo que o tinha deixado de fazer.

Na verdade, e na prática, é quase sempre assim, mas não tem de ser. Não devia ser e não podemos deixar que continue a ser.

Participar ativamente numa associação, numa coletividade, num partido político, numa consulta pública, num debate, numa tertúlia temática de um assunto coletivo, numa manifestação ou numa petição podem ser muito gratificantes, mas podem ser atividades incrivelmente penosas. Isso acontece principalmente pelo modo como estão desenhados os processos de participação.

Os mecanismos de participação costumam dar poder e protagonismo a pessoas com determinados perfis, que, pelas suas características e hábitos, podem contribuir para o desinteresse dos outros participantes.

Além disso, os processos podem ser longos, saturantes e inconsequentes.

Podemos ter de ouvir, horas a fio, discursos que não nos interessam nem servem para ultrapassar os problemas em causa.

Podemos ter de ler páginas ininteligíveis e vazias, em formatos nada cativantes. Podemos ter de esperar meses para que surja o resultado da nossa participação.

Podemos ter de debater com quem não está disponível para mudar de ideias, independentemente da argumentação.

Os eventos podem ocorrer em dias e horários que não nos são convenientes, quase sempre em sessões demasiado longas para o sentimento de realização ou produtividade que geram. Então que fazer? Desistir e dedicarmos todo o nosso tempo livre somente à diversão? Sim e não!

O dever cívico e a vontade de querer ser socialmente ativo e útil não tem de ser aborrecido. Existem alternativas que transformam os processos em atividades produtivas, flexíveis, divertidas, instrutivas e adaptadas a vários perfis, quer seja de personalidade, idade, nível de formação ou experiência.

Os impulsos pessoais dominantes também podem ser atenuados. Na ***Asteriscos queremos fazer associativismo positivo, evitando o frete, a seca e tudo aquilo que não gostamos e não traz nada de construtivo. Todos os nossos projetos têm essa componente. São pensados e implementados pelas próprias pessoas que os criaram.

E só os criaram porque gostam do que fazem. Pessoalmente sou um apaixonado por jogos de tabuleiro modernos. É isso que quero fazer enquanto voluntário. Pretendo explorar as potencialidades destes jogos para a intervenção, integração e desenvolvimento cultural, social e educativo.

É daí que vem a motivação, a minha e de muitas outras pessoas que participam nas nossas atividades dos Boardgamers de Leiria. Nós gostamos realmente do que fazemos e é isso que nos permite inovar sem esforço, de forma natural e com resultados práticos. Imaginem que a participação cívica, no geral, pudesse seguir a mesma via.

Imaginem que concretizar a vossa cidadania ativa fosse divertido, adaptado ao vosso perfil, direcionado para causas que vos apaixonem.

Imaginem que pudessem recorrer a jogos, a música, a aplicações móveis, a desporto, a expressão dramática. Imaginem que podiam escolher livremente aquilo em que quisessem participar, conhecer pessoas como vocês ou outras totalmente diferentes.

Imaginem que os processos pudessem ser céleres, envolventes e sem perdas de tempo.

Imaginem que depois, no fim, viam o resultado do vosso trabalho, que a vossa participação tinha consequência. Imaginem, num exemplo concreto ainda mais direto, que podiam ter jogos de apoio ao desenvolvimento urbano da vossa cidade.

Parece ficção, mas não é! Um pouco por todo mundo isto está a começar a acontecer. E nós, vamos deixar de nos divertir? 

*Vice-presidente da ***Asteriscos e coordenador do projeto Boardgamers de Leiria

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

 





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