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Um mês depois do incêndio, empresas ainda sem apoios para investir
Serração Fernando Fernandes & Irmão, na Graça

Economia

13 Julho 2017

Um mês depois do incêndio, empresas ainda sem apoios para investir

Governo à espera da Europa. Continua faltar dinheiro fresco no terreno e garantias que permitam aos empresários planear investimentos.

Quase um mês depois do incêndio nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, o dinheiro para a reconstrução das empresas continua sem chegar ao terreno. São os patrões e trabalhadores que a passo lento procuram reerguer o negócio pelas próprias mãos, um dia após o outro, enquanto as ajudas prometidas em público pelos representantes do Estado demoram a materializar-se.

Na freguesia da Graça, Pedrógão Grande, a serração Fernando Fernandes & Irmão, a dois passos do IC 8, está a laborar a menos de 50%. Só metade dos funcionários se encontra ao serviço, e as duas linhas de produção mais recentes, inauguradas em Janeiro deste ano, ficaram comprometidas. "Tínhamos 10 postos de trabalho e planos para mais quatro, no curto prazo", adianta António Ricardo, um dos colaboradores, numa pausa para falar com o Jornal de Leiria. "Agora é preciso que as coisas andem para a frente o mais rápido possível". As chamas destruíram máquinas, equipamentos, partes dos edifícios e muito stock: "Pilhas enormes de madeira que nem a cinza vemos no chão, o vento entretanto varreu-a". 

Das quatro linhas de produção, só a de madeiras secas permanece intacta, enquanto a de varas segue a meio gás. "Já reunimos orçamentos de praticamente todo o prejuízo, já enviámos para o seguro e agora estamos à espera de resposta", explica António Ricardo. A empresa tem sede na Sertã, onde se dedica à exploração florestal, corte e abate de árvores, mas também compra madeira a terceiros. Pinho, sobretudo, que vende no mercado interno e para exportação.

De acordo com o Relatório de Incêndios na Região Centro – 17 a 21 de Junho, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), foram afectadas 49 empresas e 374 postos de trabalho. A maioria tem condições para manter as portas abertas, avança o documento. Os prejuízos directos causados pelo fogo ascendem a 193,3 milhões de euros, dos quais 27,6 milhões nas empresas e 21,6 milhões na agricultura. Arderam 23.809 hectares nos concelhos de Pedrógão Grande (81% da área de floresta), Figueiró dos Vinhos (66%) e Castanheira de Pera (56%), morreram 64 pessoas e há danos em 481 habitações, das quais 169 de primeira habitação.

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Cláudio Garcia
Redacção Cláudio Garcia claudio.garcia@jornaldeleiria.pt






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