Sociedade

Sonho ainda comanda a vida na hora de escolher o curso

22 mar 2018 00:00

Na semana em que o Instituto Politécnico de Leiria abriu portas para se dar a conhecer aos estudantes do secundário, o JORNAL DE LEIRIA acompanhou a visita dos jovens para perceber que critérios pesam mais na hora de escolher o curso superior

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Daniela Franco Sousa

Embora a escolha do curso superior não seja irreversível, pois nada impede que um licenciado em determinada área venha a exercer funções, e com êxito, numa actividade bem diferente daquela que tinha idealizado, a escolha do curso é sempre um momento importante na vida do estudante, e das suas famílias, já que representa um grande investimento, de esforço, de tempo e de dinheiro. 

E na semana em que as escolas do Instituto Politécnico de Leiria abrem portas para se dar a conhecer aos estudantes do secundário, o JORNAL DE LEIRIA participou no Dia Aberto e quis saber que critérios norteiam a escolha do curso superior.

Será a notoriedade proporcionada pela profissão? A empregabilidade? O salário? As recomendações ou pressão dos pais? Será apenas o gosto pessoal do estudante? Ou será uma conjugação destes e de outros factores?

Percebemos que, para a maioria dos alunos do secundário, o futuro académico ainda é uma incógnita, e que a dúvida só começa a dissipar-se à medida que a fase da candidatura se aproxima. E que, apesar da empregabilidade ser relevante para os jovens de hoje, mais importante que isso, é sentirem-se bem, primeiro na licenciatura e depois na profissão que mais gostam.

Abraçar a programação para chegar à Google

Tomás Marques, de 17 anos, é aluno do curso profissional de técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, na Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria. No 11.º ano e com uma média de cerca de 17 valores, Tomás já sabe que curso superior quer seguir. “Quero Engenharia Informática para ser programador”, adianta o jovem de Leiria. E onde gostaria de exercer? Nem mais nem menos do que na Google, responde Tomás, que está claramente motivado pela paixão na hora de escolher a licenciatura e a profissão.

Aliás, frisa o estudante, o gosto pela informática é tanto que, para poder frequentar este curso profissional, que “é muito concorrido”, preferiu “perder” um ano lectivo no curso de Ciências até ter vaga e poder transferir- se para Programação. “Sempre, desde pequeno, vi que tinha jeito para isto e os meus pais reconheceram e motivaram”, acrescenta o jovem. E para sorte de Tomás, a sua paixão recai precisamente sobre um curso superior de grande empregabilidade.

Bernardo Alberto, 16 anos, frequenta o mesmo curso profissional na Escola Secundária Domingos Sequeira e já faz uma ideia do curso superior que irá escolher daqui a sensivelmente um ano. “Ainda não tenho certeza, mas estou inclinado para Multimédia”, conta o estudante de Leiria. Não é a primeira vez que participa na iniciativa Dia Aberto, do IPLeiria, e acaba sempre por ficar “mais entusiasmado com a área dos jogos”, expõe o estudante.

No caso de Bernardo Alberto, embora se informe através da internet e acolha as recomendações da família, a decisão final do curso vai depender exclusivamente do seu gosto. “A minha irmã tem formação superior e a minha família também quer que eu vá para a universidade. Mas querem que eu vá para o curso que eu goste. Por acaso, aquele que eu mais gosto também tem saída em termos de emprego”, explica o aluno. E também está mais ou menos definido o local onde Bernardo pretende prosseguir estudos. “Gostava de fazer o curso noutra cidade. Talvez em Lisboa, para ter mais independência e para frequentar uma universidade com mais projecção”, justifica.

Filha de engenheiro, engenheiro é?

Na mesma turma de Bernardo, Beatriz Ribeiro, 17 anos, está mais do que decidida. “O curso superior que quero tirar é Engenharia Informática”, conta a estudante, que já conquistou uma média de 16,85 valores. No seu caso, o gosto pela Engenharia Informática chegou de formainesperada. “Nunca quis saber de computadores, mas pensei que seriam o futuro, apostei no curso profissional de Programação e acabei por gostar”, recorda a aluna. “Cheguei a este curso mais pela empregabilidade e o gosto veio depois”, reconhece Beatriz.

“O meu pai é engenheiro informático e talvez tenha sido uma influência”, admite também. E no horizonte já existe empresa de referência? Nada disso. “Não tenho uma empresa de sonho, o importante será gostar do trabalho, dos colegas e do patrão”, resume a jovem estudante. Entre os vários estudantes vindos da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, de Leiria, o gosto e a vocação pessoal também parecem ser os aspectos mais determinantes na escolha dos seus cursos superiores.

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