Economia

Software para Hollywood, redes inteligentes de energia e o restaurante mais rápido de Londres põem Leiria na revolução digital

3 nov 2016 00:00

Como está a região a portar-se no próximo capítulo da internet?

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Juntar 100 mil linhas de código informático que resolvem um problema à indústria do cinema não é para todos. Mas o que faz a diferença nesta história é o momento em que Nuno Fonseca resolve escrever aos maiores estúdios de Hollywood, a propor uma reunião – se ia estar em Los Angeles para um congresso científico, por que não conversar, apresentar argumentos, arriscar?

A caixa de email não demorou a manifestar-se. "Um dos primeiros a responder foi o Skywalker Sound, fundado pelo George Lucas. E a partir daí obviamente que as portas se abriram todas", explica o professor do Departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Hoje o software Sound Particles está a ser utilizado também pela Warner Bros, Universal, 20th Century Fox, Technicolor (Paramount Studios), Pixar e Pinewood Studios (Reino Unido). E faz parte da ficha técnica de filmes como Steve Jobs, Batman vs Superman, Tartarugas Ninja Heróis Mutantes: O Romper Das Sombras e O Dia da Independência: Nova Ameaça, entre outros.

Graças, sobretudo, a duas vantagens que a concorrência não consegue acompanhar: "A primeira é que tem uma abordagem nativamente 3D; a segunda, e mais relevante, é a utilização do sistema de partículas, que permite criar milhares de sons em simultâneo", resume Nuno Fonseca. Por outras palavras, poupa tempo, dinheiro e pessoas quando o objectivo é dramatizar batalhas épicas entre humanos e extraterrestes, heróis e super-heróis.

Através da Estratégia para o Empreendedorismo Startup Portugal, o Governo quer posicionar o País como destino de topo na atração de startups, investidores, incubadoras e aceleradoras estrangeiras. É neste contexto que surge o Web Summit, o maior evento da Europa no sector das tecnologias. E quer também facilitar a criação de novas empresas de base tecnológica, inovadoras, porque, diz o secretário de Estado João Vasconcelos, os empreendedores portugueses estão ao nível dos melhores do mundo nos negócios da web, internet das coisas e indústria 4.0. 

Conseguirá Leiria acompanhar a nova revolução digital? Os exemplos disruptivos são, para já, raros. Mas há um ecossistema a movimentar-se.

O modelo de negócio da Sound Particles baseia-se no licenciamento. "Neste momento as vendas têm sido um complemento muito interessante ao salário no IPL e nas próximas semanas vou criar uma empresa para explorar o software numa perspectiva mais empresarial. Há um mercado para profissionais de audio, desde a realidade virtual aos videojogos", adianta Nuno Fonseca.

Além do investimento de tempo no desenvolvimento do produto, as maiores despesas estão relacionadas com as viagens. Mas, mesmo aí, o investigador e docente aprendeu que uma boa dose de confiança não faz mal a ninguém. "Todas as pessoas com quem lidei nos maiores estúdios são muito terra à terra e abertas à inovação, com aquele espírito americano de que não interessa de onde vens, mesmo que seja de Portugal".

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