Economia

Sem termas, hotelaria de Monte Real está a funcionar a meio gás

27 abr 2018 00:00

Há quatro anos que as termas de Monte Real estão fechadas. A hotelaria local, que vivia dos termalistas, ressente-se da falta daquele que era “o coração da vila”

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Raquel de Sousa Silva

“Em termos de negócio, tem sido em queda livre”. A afirmação é de Joaquim Vitorino, director do Hotel Rainha Santa, em Monte Real, quando questionado sobre os impactos da falta das termas.

Afectadas pelas cheias de 2014, nesse ano ainda abriram alguns meses, depois de obras de recuperação, mas desde então não voltaram a funcionar.

Antes do fecho do balneário termal, este hotel empregava 12 pessoas. Agora dá trabalho a apenas uma, mais outra a meio tempo. “A economia local foi totalmente abaixo. Não há comparação possível”, frisa o hoteleiro.

Antes, o Hotel Rainha Santa abria em Abril e funcionava até meados de Outubro, fazendo coincidir a sua actividade com a época termal. Agora só abre no Verão. “Em Julho e Agosto podemos ser a segunda linha da praia da Vieira, com preços mais económicos”, explica.

Joaquim Vitorino reconhece que é preciso “olhar para frente”, “procurar outros nichos de mercado”, e defende que a abertura da base aérea ao tráfego civil poderia fazer toda a diferença.

Enquanto tal não acontece, e porque a vila “não tem espaços públicos para acolher eventos que possam atrair pessoas”, a hotelaria vai tentando sobreviver como pode. “Já ponderei fechar. Provavelmente é o que vai acontecer mais dia menos dia”.

Quando a legislação mudou, as pensões tiveram de passar a hotel e os empresários foram obrigados a investir para fazer a mudança. “Se soubéssemos que as termas iriam fechar, ninguém teria investido”, diz este hoteleiro.

Opinião semelhante tem Paula Lavadinho, gerente do Hotel Santa Rita, que afirma que “tem sido muito complicado” sobreviver sem as termas. “Eram o coração da vila, o seu meio de subsistência”. O encerramento tem sido “devastador” para a economia local.

Se antes o hotel trabalhava seis meses, agora está de portas abertas apenas dois. “Tivemos de nos adaptar. Mas não tem sido fácil”. O Santa Rita emprega agora uma média de seis pessoas na época alta, quando antes empregava 15.

Para esta hoteleira, o encerramento prolongado das termas vai acabar por “matar a vila”. “Criámos uma associação para dinamizar a vila, mas sem ajuda, nomeadamente da Câmara, é muito difícil”.

“Os prejuízos são imensos”, diz igualmente Luísa Cruz, sócia-gerente do Hotel Afonso. Os clientes das termas garantiam a esta unidade “ocupação certa durante 15 dias”, bem como o serviço de restaurante.

Antes, o hotel funcionava de Abril a Dezembro, agora apenas de Maio a Outubro. “Agosto é o único mês que se mantém razoável, porque já quando as termas funcionavam tínhamos muitos clientes que não eram termalistas, o que se continua a verificar”, explica a empresária.

Com 75 quartos, o hotel implica uma “despesa fixa muito grande”, pelo que os seus responsáveis optam por abrir apenas seis meses. “Estar de portas abertas e não ter clientes é um prejuízo brutal”.

 

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