Viver

Quando cai a noite

11 fev 2016 00:00

Então é assim: antes de jantar, banho ao patife.

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Man, vamos bater o recorde de banho mais rápido de sempre, ok?
- Ok, vamos ser super rápidos pai, vou meter a velocidade de Cat Boy.
Fixe. A água àquela temperatura muito específica, longe dos olhos, assim como qualquer vestígio de espuma. Ele esfrega o que decide que tem de esfregar, é inegociável e tranquilo.

Uma coisa que aprendi rápido nesta aventura é a não teimar com coisas que não se justificam, para além disso, a parte de trás das orelhas acabará naturalmente por se lavar. É um dos nossos momentos. Eu curto milhões e gosto de pensar que ele também. Há palhaçada, gel de banho na barba e a casa de banho com água até aos artelhos, felizmente é só às vezes. Para fortalecer os laços entre pai e filho, sacrifico um pouco o planeta e carteira. Processem-me! Vamos secar.
- Blherc!!! Esses pés continuam cheios de chulé.
- Heheheh! – Pai, és um cabeça tonta.
Por acaso sou, filho, mas não contes a ninguém.

Passamos à janta, feita em ginástica pela mãe de boneca ao colo, ou em número de circo entre tachos e aquela espectadora difícil na espreguiçadeira que vai do beicinho à gargalhada e do choro a um estado catatónico mais rápido que uma bipolar no Inverno.

Estamos na mesa e parecemos uma família do antigamente, sem televisão, sem telemóveis e sem silêncio. A miúda ao meu colo (pai que é pai sabe comer só com uma mão), a mãe a controlar o terrorista e a evitar que a carpete vire campo de cultivo de esparguete ou de outra coisa que salte do prato por acidente e o puto a tagarelar.

- Pai, mãe, posso dizer uma coisa?
– Pai, mãe, tive uma ideia.
– Pai, mãe, eu hoje portei-me bem, posso jogar no tablet depois de jantar?
Sim, mas só um bocadinho, seu tecnologico-dependente-de-três-anos.

Passamos ao banho da princesa.
- Aquecedores, aos seus lugares! Miúda na banheira, esponja da Papua Nova Guiné que não lava mas também não irrita a pele e champô daquele P.H. técnico, tão bom que nem espuma faz. Feito.
Vamos vestir a bebé, é importante não partir nenhum bracinho, enquanto ela grita tão desalmadamente que se conseguem ver os pulmões pela boca. Depois o biberon, e com ele o sossego. Esperar pelo arroto.
- Eh lá! Bom proveito. Quando pensas que a coisa está encaminhada vem um cocó na fralda, e nas costas, e nas pernas e no pescoço. Vestir novamente. Desligar o mais velho.

– Mas pai, eu estava a fazer explodir zombies.
Fixe, a Humanidade agradece mas tens de ir dormir. Dentes lavados. História contada, sem aldrabar, ele não deixa.
- Até amanhã meu amor, dorme bem. Siga, adormecer a miúda. Os la la lai bem tentam serenar o espernear e o contorcer da cachopa, mas ela é que decide quando parar com aqueles gritos fofinhos que até distorcem. Acaba por adormecer. Ufa!

– Pai, mãe quero leitinho.
Aquele gajo ainda não adormeceu? Certo. É tarde, estou mais para lá do que para cá e ainda tenho trabalho pela frente. Os filhos são mesmo o melhor do mundo, sabem o que é que vai bem com eles? Comprimidos para a tensão.

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