Sociedade

Madeireiros alertam para baixo preço pago pela madeira para trituração

29 jan 2018 00:00

Segundo Américo Baptista, a situação neste capítulo "é tão grave que há produtores a oferecer a madeira para terem os terrenos limpos, mas os madeireiros não a cortam porque, ainda que oferecida, têm prejuízo".

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Jacinto Silva Duro

Dezenas de empresários do setor das madeiras do Pinhal Interior criaram um movimento para alertar para a “situação dramática" que estão a viver e exigir medidas ao Governo.

O movimento, constituído por madeireiros e alguns produtores florestais, maioritariamente do distrito de Coimbra, queixa-se, sobretudo, de que o preço da madeira de trituração, paga na fábrica a 21 euros a tonelada, "não cobre os custos de mão de obra do corte, rejuntamento e transporte se o raio de ação for superior a 30 quilómetros".

"O preço que as fábricas pagam não chega para pagar o pessoal e o transporte, ficando de fora a aquisição de madeira ao produtor, que está tabelada a dez euros a tonelada", salientou Américo Baptista, porta-voz e assessor jurídico do movimento, em declarações à agência Lusa.

Com os incêndios de Junho e Outubro, a madeira para trituração (árvores com diâmetro igual ou inferior a 20 centímetros) tem uma expressão muito grande nos milhares de hectares de floresta ardida.

Segundo Américo Baptista, a situação neste capítulo "é tão grave que há produtores a oferecer a madeira para terem os terrenos limpos, mas os madeireiros não a cortam porque, ainda que oferecida, têm prejuízo".

Os que estão a aguentar, refere Américo Baptista, são madeireiros que estão num raio inferior a 30 quilómetros da fábrica, embora "esses também estão a deixar de contabilizar os custos com equipamentos, manutenção, seguros e amortizações", além de não terem margem de lucro.

A "situação é dramática e não vai haver limpeza das florestas, porque é incomportável retirar o material lenhoso", frisou o assessor jurídico do movimento, lembrando que com o passar do tempo a madeira vai perdendo peso e os custos com as operações de corte tornam-se mais dispendiosas.

O movimento dos empresários de madeiras exorta o Governo a rever os preços que estão tabelados, para que "possam executar o seu trabalho sem prejuízo", e defendem medidas de apoio específicas, estando a efetuar diligências nesse sentido.

Caso contrário, alertou Américo Baptista, muitas empresas vão fechar portas e deixar centenas de trabalhadores no desemprego, sem que o material lenhoso ardido tenha sido retirado das florestas nacionais.

Na região Centro, apenas duas fábricas estão a receber madeira para trituração, depois de os fogos terem destruído três outras unidades.

Agência Lusa/Jornal de Leiria