Economia

Indefinição na indústria automóvel reduz actividade nos moldes

7 mar 2019 00:00

A indústria portuguesa de moldes está a entrar numa fase de abrandamento. A 'culpa' é dos fabricantes de automóveis, que estão a atrasar o lançamento de novos modelos

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Raquel de Sousa Silva

Eléctrico, híbrido, a combustão? A indústria automóvel enfrenta novos paradigmas, a indefinição predomina e os fabricantes “estão a atrasar o lançamento de novos modelos”.

O sector dos moldes, que depende em cerca de 80% da indústria automóvel, já está a sofrer as consequências, registando uma quebra na actividade.

“A indefinição na mobilidade automóvel está a provocar um abrandamento na indústria de moldes”, reconhece João Faustino, presidente da associação Cefamol.

“Quem quer comprar não sabe o que fazer, as marcas também não. Na Alemanha, por exemplo, está a haver uma quebra muito grande na compra de carros novos, o que se reflecte no fabrico de moldes um pouco por todo o lado”.

Porque as marcas estão a atrasar o lançamento de novos modelos, não há encomendas de novos moldes. A situação começou a notar-se nos últimos meses do ano passado, estando agora a intensificar-se, porque as empresas estão a terminar as encomendas que tinham em mãos e não estão a receber novas.

Nos últimos anos, a indústria portuguesa de moldes investiu muito para aumentar a capacidade instalada e responder à crescente procura, mas agora, com um volume menor de encomendas, há empresas que não conseguem ocupar totalmente a sua capacidade.

João Faustino diz que as empresas estão a reposicionar-se e a fazer contenção de custos, mas lamenta que muitos clientes, sabendo que há menos trabalho, “estejam a pressionar os preços”.

O dirigente garante não conhecer situações dramáticas de falta de trabalho e adianta que, num sector que vive de ciclos e contra-ciclos, se espera que este abrandamento “seja passageiro”.

A Eurocumsa, que fornece peças para a montagem de moldes, é uma das empresas que estão a sentir um abrandamento nas encomendas, sobretudo por parte de clientes que trabalham para a indústria automóvel. 

“Desde o início do ano que se nota que a actividade dos fabricantes de moldes não está ao nível do que era habitual, mas não sinto que seja dramático”, diz Rui Rocha, gerente da empresa da Marinha Grande.

Embora, acrescente, “também já se perceba que começa a haver empresas com algumas dificuldades, porque muitas vezes a gestão corrente é feita com dinheiro das encomendas que esperavam receber”.

Também este gestor lembra que nos últimos anos muitas empresas investiram no aumento da capacidade, e que agora, em fases de redução das encomendas, acabam por não conseguir ocupá-la totalmente.

“As empresas mais pequenas, e principalmente as que comercialmente são menos reactivas, serão as que mais sofrem”.

“A indústria fez investimentos muito grandes para aumento da capacidade. O mercado tem ciclos e é normal que nem todas as empresas tenham agora a capacidade toda tomada”, comenta um profisional da área, que prefere não ser identificado.

Frisa que “não se pode falar em baixa generalizada” da actividade no sector dos moldes, porque “haverá sempre empresas em overbooking”, embora admita que outras estarão a atravessar “algumas dificuldades”.

As empresas mais dependentes da indústria automóvel, “que está a atrasar o lançamento de novos carros”, ou as que dependem de um menor número de clientes, serão as que mais sentirão os impactos.

Segundo este gestor, a indústria portuguesa de moldes terá vivido o “melhor ano de sempre” há dois anos, pelo que, naturalmente, e em comparação, agora se nota um abrandamento, embora continue a haver empresas “com bastante trabalho”.

Para a Fermorgado, que trabalha sobretudo para o sector do houseware, os primeiros meses do ano são sempre menos intensos, aponta Sílvia Morgado.

A responsável pela empresa da Marinha Grande diz ter conhecimento de fabricantes de moldes que trabalham para a indústria automóvel que estão “praticamente paradas”.

Segundo relatos de clientes, há empresas que nunca os tinham contactado e que agora estão a fazê-lo na esperança de conseguirem encomendas de outras &aac

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