Sociedade

A felicidade dos refugiados e os primeiros bebés a nascer em Leiria

30 jun 2016 00:00

Por cá encontraram casa, trabalho e redes de suporte

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Os dias estão a mudar muito depressa na vida de Safaa Sadeq, mais depressa do que ele podia imaginar naquela noite escura em que viu a mulher cair ao mar e se convenceu que era a morte pronta para os colher numa pega de caras.

Aos 28 anos, vai ser pai pela primeira vez. De uma menina. A gravidez está a ser acompanhada em Coimbra, porque é de risco, e obriga Nidaa Neamah, 32 anos, a cuidados redobrados. Mas o parto deve acontecer em Leiria, na maternidade do Hospital de Santo André, nas próximas semanas.

Safaa não esquece aquele encontro clandestino no Mediterrâneo pelo qual pagou 28 mil dólares, as vagas de sal gigantes a queimar esperanças, o frente a frente com o medo a que os portugueses chamaram Adamastor – não esquece e só podemos imaginar porquê, quando ele jura que não voltava a entrar no barco nocturno da Turquia para a Grécia.

Mas entrou. E agora o futuro tem nome: Maria. No próximo mês a República Portuguesa vai conceder-lhe a nacionalidade, depois da alta hospitalar o destino é um pequeno apartamento na Marinha Grande, provavelmente vai crescer em Portugal, estudar a língua de Camões, quem sabe cumprir o sonho do pai e sentar-se nos bancos da faculdade de Direito.

No Iraque, Safaa, que permaneceu na escola até ao sexto ano de escolaridade, gastava o tempo entre jogos de futebol e trabalhos como pintor da construção civil, mas o sonho que tinha para si próprio era o outro: tornar-se advogado em Bagdad.

Os dias estão a mudar muito depressa na vida de Safaa e Nidaa, agora que o estatuto de refugiados os trouxe, por fim, a porto seguro: o apartamento na Marinha Grande onde dormem desde Dezembro de 2015.

Ele é dos mais recentes funcionários da empresa Carfi, na Marinha Grande, e trabalha na montagem de plásticos a troco do salário mínimo; ela fez limpezas no lar da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande, até a gravidez impor baixa médica.

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