Sociedade

Ascendi garante que Câmara de Pedrógão Grande nunca pediu limpeza à EN 236-1

8 fev 2019 00:00

Em resposta ao magistrado, Rogério Mota precisou que a limpeza na EN236-1 era realizada, sobretudo ao nível da vegetação. “Só havia corte de árvores se colocassem em risco a segurança rodoviária.”

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Jacinto Silva Duro

O responsável pela Assistência e Manutenção da Ascendi Pinhal, Rogério Mota, garantiu hoje ao juiz de instrução do Tribunal de Leiria que a Câmara de Pedrógão Grande nunca pediu limpeza à Estrada Nacional 236-1.

Na segunda sessão da fase de instrução do processo sobre o incêndio de Pedrógão Grande, Rogério Mota esclareceu que quando assumiu funções na área do Pinhal Interior continuou a cumprir o contrato de limpeza de faixas de combustíveis que existia com a empresa Vibeiras.

“O que previa o contrato era a limpeza de uma faixa de cinco metros. Em 2017, foi feita a gestão de combustível nos dias 5, 6 e 7 de Junho na EN236-1. Foi nessa data, porque foi assim que foi calendarizado. Recordo-me por causa do que sucedeu”, explicou ao juiz de instrução.

Rogério Mota revelou ainda que a Câmara Municipal de Pedrógão Grande “nunca pediu qualquer limpeza à EN236-1”, ao contrário do que chegou a suceder relativamente ao Itinerário Complementar 8 (IC8).

“A faixa era de cinco metros, porque foi assim definido no contrato e eu limitei-me a dar sequência”, justificou ao ser confrontado que a lei exige uma faixa de dez metros.

Este responsável admitiu que há autarquias que reclamam junto da Ascendi a intervenção numa faixa de dez metros, o que a empresa cumpre sempre que é solicitado.

Segundo Rogério Mota, a Ascendi tinha também a responsabilidade da limpeza do IC8. “Também fazíamos a limpeza nesta estrada com regularidade. Quando a Câmara pedia por alguma necessidade adicional contactava-nos e íamos lá.”

Em resposta ao magistrado, Rogério Mota precisou que a limpeza na EN236-1 era realizada, sobretudo ao nível da vegetação. “Só havia corte de árvores se colocassem em risco a segurança rodoviária.”

O arguido acrescentou que, apesar de uma planificação para a limpeza, “sempre que havia necessidade, eram efetuados trabalhos” extra, como em caso de queda de árvores por causa de uma intempérie.

Afirmando que a fiscalização da limpeza era realizada pelo encarregado da Ascendi e a sua equipa, Rogério Mota disse ainda que também a Infraestruturas de Portugal fazia relatórios periodicamente sobre as vias.

Para o dia 19 de Fevereiro está agendado o testemunho do arguido Jorge Abreu, presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, podendo a vir a ser também ouvido José Revés, da Ascendi.

As audições do ex-presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e do seu ex-vice-presidente José Graça ainda não têm data marcada.

São arguidos neste processo 13 pessoas, incluindo os presidentes dos municípios de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande em funções à data dos factos: Fernando Lopes, Jorge Abreu e Valdemar Alves, respetivamente. Estão acusados de dezenas de crimes de homicídio por negligência e de ofensa à integridade física por negligência.