Opinião
O amendoim
“Comedian” resume-se a uma banana colada a uma parede com fita cola e já tinha sido vitima de um atentado com alguma lógica, um visitante arrancou-a e comeu-a
Foi o jornalista do El País, Jaime Rubio Hancock, que me recordou o roubo do Centre Pompidou-Metz de Comedian do artista italiano Maurizio Cattelan. Como sabem “Comedian” resume-se a uma banana colada a uma parede com fita cola e já tinha sido vitima de um atentado com alguma lógica, um visitante arrancou-a e comeu-a.
A banana faz parte de uma galeria de obras que começa com um urinol e se desenvolve com latas de sopa, extintores, frascos de ar, água ou cocó complementados por uma retórica mais ou menos sólida e validados pela exposição em museus e galerias prestigiadas. A banana de Cattelan conseguiu assim um dono que a arrebatou num leilão da Sotheby’s em 2024 por 6 milhões de euros. Não é brincadeira. Mas será defensável enquanto obra de arte?
Sigo Hancock. Para o crítico de arte Clive Bell (1881-1964), o fundamental nas artes visuais e musicais é a excelência formal, a “forma significativa”, as relações entre as diferentes partes de uma obra de arte, à sua estrutura e composição, que é o que lhe confere valor, isto é, a forma significante provoca a emoção e esta emoção sente-se frente à forma significante. Tudo muito bem, para os “Formalistas”, posso sentir essa emoção a olhar para uma banana e ninguém pode dizer que não sinto. Os que não sentem não são suficientemente cultos para a apreciar ou são brutos insensíveis.
Os “Expressionistas”, como R.G. Collingwood (1889-1943) enfatizam além da forma, os sentimentos ou as ideias que quer expressar. Ou seja, a banana afinal é uma obra conceptual que mais do que emoções procura transmitir uma ideia sobre arte que pode ser vista como uma provocação destinada a provocar emoções de repulsa ou cansaço. Ou também pode bem ser que a banana esteja só a gozar connosco.
Os “Institucionais”, como Arthur Danto (1924-2013) ou George Dickie (1936) acreditam que uma obra de arte é qualquer coisa que se exponha ou se qualifique como arte por qualquer instituição reconhecida. Ficamos na mesma.
Noutra altura hei-de vos falar de Brian Eno agora vou pregar um amendoim na minha sala.