Editorial

Nova esperança para o Lis

21 set 2023 08:31

Prevê-se a transformação em energia limpa e em subprodutos orgânicos de mais de 500 mil toneladas de efluentes pecuários por ano

Será que num futuro próximo vamos mesmo ter uma nova brisa a soprar na cidade de Leiria, com menos pestilência suinícola? E que o problema da poluição da Bacia do Lis provocada pelo sector da suinicultura irá finalmente ser ultrapassado? A esperança está lançada.

Esta semana foi apresentado um segundo projecto (este com a parceria estratégica da câmara municipal e da associação que representa os suinicultores) para construção de uma unidade de produção de biometano na freguesia de Amor, a partir dos efluentes pecuários.

Asseguram os promotores deste empreendimento, orçado em mais de 25 milhões de euros, que além da transformação dos efluentes em biogás, o processo permitirá ainda produzir biofertilizante orgânico, enquanto a água tratada servirá para fins agrícolas ou para combate aos incêndios florestais.

Como vantagens ambientais, são apontadas a redução das emissões de gases com efeito estufa; a descarbonização da economia ao substituir o gás de combustível fóssil por gás renovável; a despoluição dos solos e dos aquíferos. E, cereja no topo do bolo, serão evitados “odores desagradáveis e a proliferação de insectos”.

Em Março, recorde-se, tinha sido anunciada a intenção de criar uma unidade semelhante, mas na freguesia do Coimbrão, junto à ETAR-Norte. Neste caso, o projecto, com um investimento inicial de 7 milhões de euros e já em fase de licenciamento segundo os investidores, será desenvolvido ao abrigo de uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Se os dois projectos se concretizarem, prevê-se a transformação em energia limpa e em subprodutos orgânicos de mais de 500 mil toneladas de efluentes pecuários por ano, garantindo ganhos ambientais e maior sustentabilidade e competitividade para um sector de grande importância económica para a região.

Por outro lado, anuncia-se uma possível mudança de paradigma: deixar de olhar para os efluentes como resíduos, passando a encará-los como matéria-prima valorizável.