Opinião
A Região Centro pelo Plano Draghi!
A Região Centro com Leiria à frente pode tornar-se a primeira entidade europeia que abraça e protagoniza o Plano Draghi!
Uma oportunidade:
- uma mobilização de empresários, tecnólogos, clusters industriais, académicos, cientistas, estudantes: o tempo da sociedade civil!
- uma nova face para a Região Centro depois das tempestades: a face do Plano Draghi!
O comboio de tempestades está a ter uma resposta na região Centro: a Economia vai reerguer-se. A questão que todos nos colocamos é como fazê-lo? Reconstruir simplesmente ou construir coisas novas?
A boa notícia vem de Bruxelas: a UE considera a Economia uma emergência europeia. Os apoios para isso hão-de chegar.
A eleição do Presidente A. J. Seguro inaugura um novo ciclo político onde os portugueses deixam de estar distraídos com conflitos insuflados e zaragatas de ocasião e o País pode agir de forma ordenada. O novo ciclo político autoriza e convida a sociedade civil. Este é o tempo da sociedade civil. O Governo, certamente a CCDR, depois, virão certamente atrás a apoiar quando a motivação de muitos na Região estiver clara, e ela estendendo-se a outras.
O relatório Draghi analisa, sector por sector, onde os Estados-membros podem investir na inovação industrial e económica. Esses investimentos vão encontrar mercado. Mas não basta saber onde investir. É preciso ter condições industriais. Sozinhos, Portugal, e por conseguinte, a região Centro não consegue dar o salto industrial. Pode dar um salto tecnológico mais facilmente do que o salto empresarial. Mas, na verdade, precisa de fazer ambos. Para que isso aconteça no nosso tempo, temos de convidar os europeus nossos aliados, incluindo Espanha, claro, aqui tão perto, mas a Alemanha industrial e a França, Itália, Suécia potências industriais ou tecnológicas à sua maneira. Convidar para quê e como? É mais simples do que pode parecer. Para desenvolver em chão de laboratório de fábrica os protótipos emergentes da nova economia. Que o mercado procura neste tempo que é o nosso tempo. Para alianças tecnológicas que desemboquem em alianças empresariais. Sem essas alianças vai demorar muito tempo a evoluir para salários europeus. Mas também revigorando as empresas dinâmicas que temos e as start-ups que vamos criando. Assim, mudaremos a especialização económica da região Centro. Para o nosso tempo. Afinal a promessa de Abril e a promessa da Europa connosco, mas sobretudo o sonho de todos nós: um País desenvolvido e progressivo.
É preciso ter condições de acolhimento e de parceria. É preciso um tecido institucional mínimo, mas suficiente, flexível, que não consome dinheiro nem recursos inutilmente. Um eco-sistema para o plano Draghi. Esse eco-sistema existe já no terreno, mas como que não se deu conta, ainda, de que já existe. Basta, pois, olhar para a Europa do Plano Draghi e querer prosseguir o que empresários, engenheiros e tecnólogos querem desde sempre. É só preciso ter agilidade nas instituições para mudar as ‘agendas de trabalho’: o Estado com sentido estratégico (Municípios, CCDR), Centros Tecnológicos, Clusters industriais, Politécnicos, Universidades e, claro, Governo ou, melhor, o Ministério da Economia e Coesão que administra os Fundos europeus, tudo a trabalhar em simbiose.
Mas comecemos pelo princípio. Não existem acções transformadoras de vulto, envolvendo os agentes económicos sem convicção generalizada. A convicção para mudar está maduríssima na região Centro alvo da destruição das tempestades. Mas para agir em uníssono é preciso ter uma estratégia clara, entendida e abraçada por todos os que podem fazer a mudança.
Um grande objectivo é ajudar as ‘agendas estratégicas’ das nossas empresas, dos Centros Tecnológicos, Politécnicos e Universidades e clusters. É este o momento, quando existe a imperiosidade de reconstruir, de acelerar a mudança da especialização económica de Portugal e a região Centro pode dar o tiro de partida. Isso exige trazer para Portugal as equipas de engenharia das empresas europeias para projectos colaborativos sobre protótipos emergentes e sobre estandardização de produtos para a Europa. A região Centro pode abrir-lhes os braços a essa equipas e empresas. Precisamos de construir Campos de Inovação e Colaboração Industrial. E isso é barato de fazer. A diplomacia industrial e de inovação é barata. Só requer Conhecimento estratégico, talento e instituições.
O relatório Draghi fornece todos os ‘blueprint’ para a inovação de impacto que pode ter lugar parcialmente na região Centro e deixar cá na região Centro, duradouramente, os embriões das empresas dinâmicas que participem no processo.
Em suma, a estratégia para a região Centro está ao alcance: Portugal e a região Centro pode ser uma bancada de Laboratório para a inovação económica do Plano Draghi.
Mas a oportunidade não é só o mercado civil do consumo. É também o mercado da indústria de Defesa perante as ameaças que impendem sobe a Europa.
É simples, não tem custos, criar um estrutura civil na ‘região’ Centro, uma espécie de ‘Conselho de Estratégia’, modesto, mas efectivo, para a reindustrialização da indústria de Defesa europeia e onde Portugal pode abraçar, primeiro discutir, depois projectar em colaboração, no final, participar na industrialização. Mas estandardização europeia também com inovação e em toda a extensão da indústria de defesa europeia. Para essa estratégia mista de diplomacia militar, industrial e tecnológica ser abraçada, é preciso convocar a comunidade portuguesa militar, tecnológica e de geopolítica. O magistério de influência do Presidente Seguro certamente estará atento a esse debate e a esse propósito, como se viu com o primeiro Conselho de Estado Defesa e Segurança.
Exemplos dessa nova especialização para a região Centro são pois claramente a indústria de defesa nas suas variantes: podemos mudar a face da indústria praticando diplomacia industrial para suscitar nas principais empresas europeias embriões de projectos “tipo Airbus” em toda a gama de equipamentos. Já agora, para quando Portugal no grupo Airbus, por exemplo?
Assim como o enfoque regional clama por colaboração europeia e internacional, a colaboração dentro da economia portuguesa é absolutamente natural e simbiótica. E novos materiais e nano-materiais em cooperação com Braga, incluindo sistemas de alta integração como o caça europeu de 6ª geração, tecnologia para mísseis de nova geração e defesa aérea e ainda na Marinha de Guerra em cooperação com Viana do Castelo e Almada tipicamente actividades apoiadas por Diplomacia industrial e governamental de baixa intensidade e liderado por clusters industriais portugueses e peritos de geoestratégia; em caso de sucesso alguma ‘coisa’ (produção industrial incluindo em regime de ‘joint-venture’) ficará localizada na região; sejam actividades em modalidade de projectos colaborativos luso-europeus do tipo ‘bancada de laboratório’ coordenados com Lisboa e Porto para medicamentos inovadores, incluindo industrialização em território português de projectos europeus de anticorpos monoclonais, células CAR T, uso de I.A. em ensaios clínicos em medicina de precisão. E visionamos um Think Tank para Cenários de Diplomacia industrial, bancada de Laboratório e Incubadora de projectos colaborativos luso-europeus para diminuir a dependência europeia nas chamadas GAFAM, em software de nova geração para mobilidade em cooperação com Braga, em computação quântica coordenadamente com Lisboa e Guimarães; uma Universidade de Inteligência Artificial luso-europeia e no âmbito do Reino Unido, Noruega, Mercosul e Canadá pode ser construída na região co-fundada por universidades portuguesas e certamente pela Universidade de Coimbra.
Objectivo: para alianças de diplomacia industrial na defesa com as principais empresas europeias e start-ups em projectos colaborativos a cenarizar para a região rumo à consolidação e reengenharia de equipamentos e novos sistemas de defesa, incluindo drones e radares de nova geração, balísticos e antiaéreos, novos sistemas de segurança e extensivamente sistemas e produtos de duplo-uso, serviços de satélite
LOCALIZAÇÃO POSSÍVEL: no perímetro do Oeste.
Mas, não tenhamos ilusões sobre os recursos humanos. Sem talento e criatividade, mas, sim, sem diversidade nem Portugal e, por conseguinte, a região Centro, não poderá ascender na Nova Economia e pagar salários dignos e confortáveis. A estratégia de semear talento tem de fazer parte de uma qualquer estratégia de desenvolvimento. É possível semear talento oferecendo aos nossos jovens as melhores experiências e oportunidade de ensino e indo buscar jovens.
O euro-Atlantismo como vocação nacional pode abrir Portugal ao talento no Atlântico Sul, isto é, considerando os seus dois lados. Chamemos a isso estratégia geoecultural. Para isso, Politécnicos e Universidades podem fazer protocolos para receber estudantes e intercâmbio de Professores, mudando o panorama e tornando Portugal um viveiro de talento. Mas de forma a beneficiar os países ‘exportadores’ desse talento, não queremos interesses unilaterais, mas mútuos… A região Centro pode abrir-lhes os braços a esse talento jovem.
Objectivo: Atrair estudantes e professores internacionais para cursos avançados de formação profissional, graus académicos superiores, incluindo doutoramentos.
É só necessário olhar longe, procurar parcerias e marchar com os pés bem firmes na terra e trabalhar muito a diplomacia industrial e educativa. A economia da região Centro pode erguer-se de novo e com Futuro. Pensamos que é a Hora.