Saúde

Pneumologista do hospital de Leiria premiada com trabalho sobre técnica Imuno-PET para cancro do pulmão

3 dez 2023 10:00

A nova técnica tem um enorme potencial para ser incluída nos exames de estadiamento do cancro do pulmão

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Sónia Silva é coordenadora da Pneumologia Oncológica do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria
DR

“Imuno-Tomografia por emissão de positrões na predição da resposta a inibidores de checkpoint imunológico em doentes com cancro do pulmão de não pequenas células” foi o trabalho desenvolvido pela médica pneumologista, Sónia Silva, que lhe valeu o Prémio Thomé Villar 2023.

A também coordenadora da Pneumologia Oncológica do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) referiu, citada numa nota de imprensa, que “este prémio representa um reconhecimento pelos pares, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, o que é muitíssimo gratificante”.

“Incentiva a continuar o percurso, ultrapassando barreiras para conseguir chegar a respostas e, consequentemente, uma melhoria de outcomes para os nossos doentes com cancro do pulmão de não pequenas células”, acrescentou.

O Prémio Thomé Villar é atribuído anualmente pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, com o objectivo de distinguir trabalhos originais de investigação científica no âmbito da Pneumologia, e este ano foi anunciado e entregue durante o seu congresso anual, adianta um comunicado do CHL.

A técnica inovadora, mais conhecida por Imuno-PET, já foi testada pela primeira vez em Portugal para o tratamento do cancro do pulmão em doentes de Leiria e Coimbra, com o objectivo de ajudar a prever a resposta aos tratamentos de imunoterapia usada em doentes com esta patologia, lê-se no documento.

Esta técnica integra um estudo clínico, que envolve os Serviços de Pneumologia do CHL e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e o Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, onde Sónia Silva é uma das investigadoras da equipa e estudante de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

De acordo com esta equipa, “a nova técnica tem um enorme potencial para ser incluída nos exames de estadiamento do cancro do pulmão, possibilitando a identificação da terapêutica mais adequada para cada doente, evitando o uso de terapêuticas que não resultarão no tratamento e controlo da doença”.

A técnica permite realizar uma avaliação de corpo inteiro do doente, identificando as áreas que estão afectadas pelo cancro e prevendo a resposta de doentes ao tratamento de imunoterapia, considerada pela médica Sónia Silva, uma das terapêuticas mais inovadoras usadas em doentes com cancro de pulmão em fase avançada.

“A Imuno-PET não substitui outros exames de diagnóstico, como a biópsia ou a PET-FDG, mas pode vir a funcionar como uma técnica complementar que ajuda a tornar o acompanhamento clínico do doente mais célere e eficaz, ao permitir compreender melhor como será a resposta à terapêutica”, explica Sónia Silva.

Segundo a pneumologista, o cancro do pulmão é a principal causa de morte por cancro em Portugal, sendo um dos mais frequentes e tem uma incidência crescente. “É também um dos tumores mais agressivos, dado que muitos doentes chegam já em estado avançado, quando a doença não está apenas nos pulmões, mas em vários órgãos.”

O estudo clínico enquadra-se no projecto de doutoramento de Sónia Silva, orientado por Antero Abrunhosa, director do ICNAS, e por Carlos Robalo Cordeiro, director da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

“Os ensaios clínicos desenvolvidos até agora têm envolvido doentes com diagnóstico de cancro do pulmão de não pequenas células, o mais prevalente, com indicação para tratamento com imunoterapia. Os doentes efetuam todos os exames habituais e recebem o acompanhamento normal, realizando a Imuno-PET como uma técnica de diagnóstico extra”, conclui.