Desporto

Os melhores jogadores do mundo arbitrados por quem vê mais além

9 jan 2021 13:48

Irmãos Daniel e Roberto Martins, de Pombal, sobem na hierarquia do andebol europeu

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Complementaridade entre os irmãos Martins é visível nos jogos
FAP

Que o andebol de Leiria fez nascer alguns dos melhores árbitros a nível europeu não é surpresa para ninguém.

A dupla da Marinha Grande, constituída por Eurico Nicolau e Ivan Caçador, estaria este sábado em Madrid, a dirigir a partida referente à EHF Euro Cup entre a Espanha e a Croácia, respectivamente campeã e vice-campeã do último Europeu, não fosse a tempestade de frio que obrigou ao adiamento da partida.

Mas há outros, com contorno especiais, que percebem que todas as reacções tidas por jogadores, treinadores e dirigentes têm uma justificação.

Ora, essa a uma das vantagens desta dupla de Pombal que começou há 22 anos.

Daniel Martins, de 39 anos, é psicólogo e percebe o que se passa na cabeça dos agentes do jogo e age em conformidade. A outra é porque faz parelha com o irmão Roberto, de 38 anos, o que lhes dá um entrosamento natural.

Têm sido reconhecidos pela sua competência e estiveram de 12 de Outubro a 12 de Novembro a arbitrar a fase final do campeonato qatari.

Agora, foram seleccionados para dirigir o mais importante jogo da fase de qualificação para o Europeu de andebol, entre a seis vezes campeã mundial França e a Sérvia, herdeira da escola jugoslava.

O desafio é este sábado, pelas 18 horas, em Créteil, nos arredores de Paris.

“Um grande desafio”, diz Daniel Martins, que não tem dúvidas de que os conhecimentos de psicologia são fundamentais dentro das quatro linhas.

“Torna tudo mais fácil, porque faço análise comportamental. a programação neuro-linguística envolve-se muito e compreender a forma de agir e a expressão facial ajuda bastante no controlo emocional dos atletas”, explica.

Por outto lado, o facto de Roberto e Daniel serem irmãos torna a dupla mais rica.

“Conheço-o há tantos anos, a forma como se movimenta em campo, a postura que ele tem, percebo logo se está dentro do jogo ou se vai tomar uma decisão mais agressiva. Ele é mais explosivo do que eu, às vezes é necessário acalmá-lo um bocadinho”, completa o “racional” Daniel.

O “emotivo” Roberto acha “fantástica” esta comunhão. O facto de terem vivido muito anos debaixo do mesmo tecto foi uma vantagem e permitiu trabalhar mais em conjunto na preparação física e na análise de vídeo, mas também há os intangíveis.

“Sabemos quando não é um dia bom para o outro tomar decisões e que temos de ser nós a assumir a responsabilidade. E há a confiança: quem está do outro lado está para nos apoiar nos momentos mais difíceis.”