Sociedade

Original e réplica continuam lado a lado, quase três meses depois

10 abr 2023 09:00

Monumento de Joaquim Correia mantém-se no centro da Praceta do Vidreiro, na Marinha Grande, próximo da nova réplica em bronze

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Conjunto escultórico original permanece no centro da rotunda
Ricardo Graça
Daniela Franco Sousa

Quase três meses após ter sido inaugurada a obra que passou a bronze o monumento evocativo da Revolta Vidreira de 1934, cerimónia que decorreu no passado dia 14 de Janeiro, continua presente, a escassos metros, no centro da Praceta do Vidreiro, o trabalho original do mestre Joaquim Correia, feito em betão, de onde foi retirada a estátua que adornava o conjunto escultórico.

Recorde-se que a decisão de relocalizar este icónico monumento da Marinha Grande, retirando-o do centro da rotunda para uma zona próxima, em forma de meia-lua, no Parque Mártires do Colonialismo, não foi pacífica.

Aurélio Ferreira, presidente da autarquia, argumentava que a nova localização tornava o monumento “visitável” e que essa era a localização preferida do seu autor. Já o movimento cívico que se formou pela manutenção do monumento no centro da rotunda, ao qual se juntou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV), entendia que este deveria permanecer no local de sempre, que mais “dignifica” a história do concelho.

Etelvina Rosa, membro do movimento cívico, reforça que, o que para si fazia sentido, era manter o monumento no centro da rotunda, requalificado e com iluminação, sendo que o original tem de ser preservado no Museu Joaquim Correia.

Etelvina lamenta que alguns pormenores do monumento original não tenham sido replicados no novo trabalho (o estrado de madeira, onde os vidreiros trabalhavam, na nova versão perdeu o relevo) e lamenta que, embora recente, a nova obra apresente sinais de oxidação.

Membro do sindicato, Vladimiro Moiteiro explica que ainda não foi informado pela câmara sobre o futuro destino do monumento original, obra que, à época, o STIV “ajudou a custear”. Também entende que este deveria ser transferido para o Museu Joaquim Correia ou para outro local “digno”.

Artistas opinam
Abílio Febra, escultor de Leiria, considera que as peças escultóricas devem estar em locais onde possam ser apreciados, como agora acontece com a réplica em bronze, retirada da rotunda. No entanto, também realça que “não é por existirem cópias, que se pode deixar degradar os originais”, defendendo, por isso, a preservação em museus.

E fala sobre outro caso, na Marinha Grande, do mesmo autor, a estátua Orfeu, que foi passada a bronze e colocada junto ao Museu Joaquim Correia.
Também o original, em cimento, está a degradar-se no Jardim Luís de Camões. “Cimentos têm tendência a ser permeáveis e a estrutura em ferro no interior oxida, fazendo a peça estalar”, explica.

João Pedro Santos, director da ESAD.CR, lembra que também em Leiria existem as peças finais e os modelos das estátuas que Anjos Teixeira realizou sobre os Animais Nossos Amigos, de Afonso Lopes Vieira, uma no Parque do Avião e outra na biblioteca municipal.

No caso da Marinha Grande, e sobre o destino a dar ao monumento original, entende que “importa saber quais seriam as intenções do autor, dos seus herdeiros e se existe algum apoio especializado a este tipo de decisões”. Até ao fecho de edição, não foi possível ouvir a Câmara da Marinha Grande sobre o assunto.