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Maria Craveiro, director People & Culture INCENTEA: O futuro não se encontra, cria-se
Talvez a verdadeira diferença esteja em quem ainda sabe a importância de escolhe
Há frases que nos acompanham na vida e que, do nada, vêm à memória. "Life isn't about finding yourself, it is about creating yourself" marcou a minha adolescência, e anos mais tarde percebo que talvez não fale apenas de pessoas, mas também de organizações.
Habituámo-nos a olhar para o futuro como algo a descobrir. Estudamos tendências, antecipamos competências, analisamos gerações e perguntamos como será o trabalho de amanhã. Tudo isto é necessário, mas talvez seja insuficiente, porque o futuro não é apenas um lugar para onde caminhamos, é também algo que escolhemos construir.
Gosto de ler o que Byung-Chul Han escreve sobre a nossa sociedade atual, cansada, acelerada, sem espaço para contemplar. E talvez seja esse um dos riscos do nosso tempo, estarmos tão ocupados a reagir ao que muda que deixámos de imaginar o que queremos transformar. Adaptamo-nos muito. Autorizamo-nos pouco.
No trabalho, isto é decisivo. A inteligência artificial pode produzir respostas, acelerar processos, sugerir caminhos, mas continua a haver uma pergunta que nenhuma tecnologia responde por nós, porquê? É aí que começa a autoria, na capacidade de escolher uma direção, de dar sentido ao que fazemos, de não sermos apenas executores de tarefas ou consumidores de futuro.
E quando, no final de Matrix, o Agent Smith pergunta ao Neo porque continua a lutar, a resposta é simples. "Because I choose to." Não como um ato de resistência, mas sim de propósito. E é essa escolha que muda tudo.
Num mundo focado em antecipar, talvez a verdadeira diferença esteja em quem ainda sabe a importância de escolher. Escolher criar, em vez de apenas adaptar. Escolher questionar, em vez de apenas cumprir. Escolher desafiar para poder construir futuros que ainda não existem.
Há uma ideia-chave do ADN da INCENTEA que sempre me fez sentido, somos Pessoas com soluções. E isso implica mais do que resolver o presente, implica escutar o aí vem, mas também ter a coragem de o escrever, porque o futuro do trabalho não está definido à espera de ser encontrado. Será imaginado e criado por quem, como nós, decidir como o quer conceber.