Sociedade
Escavação danifica moradia no centro de Pombal e Câmara propõe demolição integral
Morador foi realojado e obra vizinha está suspensa. Em resposta ao JORNAL DE LEIRIA, autarquia confirma "danos estruturais graves" e "risco de colapso parcial ou total"
Uma moradia habitada no centro histórico de Pombal ficou em risco de colapso, depois de uma escavação promovida por uma empresa de construção civil no prédio confinante ter danificado parte dos alicerces, e deverá ser integralmente demolida.
A conclusão consta da vistoria municipal realizada a 8 de Julho e foi confirmada ao JORNAL DE LEIRIA pela vereadora das Obras Particulares e Protecção Civil da Câmara de Pombal, Ana Carolina de Jesus.
A situação é acompanhada pelo município desde 21 de Junho, data onde, "por medida preventiva", o morador foi realojado.
Segundo a vereadora, o empreiteiro assumiu de imediato, com a sua equipa técnica e em articulação com a seguradora, a execução de acções de contenção para evitar o agravamento, mas sem sucesso.
"As medidas de contenção realizadas pelo empreiteiro não produziram efeitos, antes se verificou agravamento da situação", refere a autarca.
Perante a evolução, a Comissão de Vistorias, composta por técnicos municipais de arquitectura, engenharia civil, fiscalização e Protecção Civil, identificou "danos estruturais graves, nomeadamente o colapso parcial de uma zona da edificação, danos em paredes resistentes, descalçamento parcial de fundações, fissuração generalizada e perda de continuidade entre elementos estruturais".
Face ao "risco de colapso parcial ou total", foi proposta a demolição integral do imóvel e restringida a circulação na envolvente.
Obra suspensa e responsabilidades por apurar
A obra vizinha, sujeita a acompanhamento arqueológico determinado pela CCDR Centro, foi alvo de suspensão imediata, mantendo-se autorizadas apenas as intervenções "estritamente indispensáveis à garantia das condições de segurança".
Segundo a autarquia, a retoma dos trabalhos dependerá da validação de soluções técnicas fundamentadas em estudos geotécnicos e em projectos de contenção elaborados por técnicos habilitados.
Nas vistorias, os serviços observaram "escavações profundas na proximidade imediata da edificação afectada" e "insuficiência das condições de contenção então existentes".
Quanto a responsabilidades, a autarquia não avança ainda conclusões, mas revela que a matéria está "na esfera da seguradora e jurídica", envolvendo promotor, empreiteiro, técnicos responsáveis e seguradoras, e o município avalia ainda se há factos que justifiquem um processo de contra-ordenação.
Sem prazo definitivo para a resolução, Ana Carolina de Jesus garante que a Câmara continuará a acompanhar o caso, "procurando que a situação seja resolvida com a maior brevidade possível".
