DEPRESSÃO KRISTIN
Câmara de Leiria recolheu mais de 10 mil toneladas de resíduos deixados pela tempestade
Vereador do Ambiente informa que autarquia continua a disponibilizar soluções gratuitas aos munícipes
Foram mais de dez mil toneladas a quantidade de resíduos de diferentes características recolhidos pelos serviços contratados pela Câmara de Leiria, após a tempestade Kristin. O vereador do Ambiente, Luís Lopes, acredita que o número pode chegar perto das 15 mil até Setembro, data que estabeleceu para pôr fim a toda a recolha de resíduos resultantes do mau tempo.
A colaboração dos munícipes é fundamental, considerou o autarca, para ajudar a limpar o lixo depositado, muito dele fora dos locais disponibilizados para o efeito.
Nas freguesias e uniões de freguesia foram criados 35 estaleiros, dos quais 14 já estão limpos e nove ainda não tiveram qualquer intervenção. Nestes espaços, já foram retiradas quase quatro mil toneladas, num custo superior a 1,2 milhões de euros. O autarca acredita que o número de material a ser recolhido possa duplicar e que a despesa possa chegar aos quatro milhões de euros.
Segundo o vereador do Ambiente, as pessoas continuam a deixar lixo não só nos estaleiros já desactivados - apesar dos avisos para não colocar resíduos - como em vários pontos esoalhados pelo concelho.
“Temos 35 estaleiros mais tudo o que está na via pública, o que chega a 558 sítios. Esta dispersão do concelho cria-nos um problema e todos os dias aparecem locais novos, o que não ajuda”, lamentou, ao sublinhar que a recolha porta a porta continua disponível para o cidadão, de forma gratuita.
Para tal,basta contactar a autarquia ou a junta de freguesia para agendar a recolha de resíduos não urbanos ou de materiais com amianto ou solicitar big bags (três por habitação).
“Pedimos tolerância, porque o agendamento pode obrigar a uma espera de três semanas a um mês, mas há falta de recursos humanos”, justificou, ao precisar que a recolha gratuita se destina a primeiras habitações e apenas às danificadas pela tempestade, pois "não é aceitável que alguém remova o seu telhado de fibrocimento que nada teve a ver com a tempestade e coloque os resíduos na rua, colocando ónus sobre todos”.
Por isso, o vereador frisou que a Câmara de Leiria vai continuar a fiscalizar e a denunciar às autoridades os incumprimentos.
O perigo para a saúde pública de ter materiais de fibrocimento sem protecção é uma das preocupações da autarquia, pois enquanto houve chuva, as partículas de amianto não se espalhavam. “Não estando molhado, há risco de dispersão de partículas. A recolha destes materiais tem sido a nossa prioridade e há locais que cobrimos para reduzir o perigo de exposição”, disse.
A separação dos materiais é também relevante, segundo Luís Lopes, que afirmou bastar "um bocadinho de amianto para contaminar tudo".
Além de aumentar o volume em aterro, é mais dispendioso”, constatou, exemplificando que entre 29 de Janeiro e 30 de Abril, o município recolheu 301,26 toneladas de materiais com amianto, o que se traduziu num custo de 564.163 euros.
Foram ainda retiradas 393,78 toneladas de resíduos não urbanos, que resultou num custo de 309.600 euros.
Acrescentando os resíduos indiferenciados e recicláveis e o lixo recolhido nos 35 estaleiros, a autarquia totaliza 10.431 toneladas, que resultaram num custo acrescido para o município superior a 2,7 milhões de euros.
O Município de Leiria já executou 392 pedidos para recolha de resíduos, tendo ainda 558 por concretizar.
“Continuamos a recolher resíduos, ainda temos muitos para recolher e vai demorar algumas semanas. As pessoas que nos continuem a contactar, pois vamos continuar a disponibilizar soluções de recolha porta a porta e a encaminhar para o local correto”, reforçou.