Sociedade
Câmara de Leiria aceita desafio da Ordem e vai colocar farmácias entre equipamentos prioritários em caso de catástrofe
Bastonário pediu a Gonçalo Lopes que integrasse os estabelecimentos no plano de Protecção Civil
A Câmara de Leiria aceitou o desafio do bastonário da Ordem dos Farmacêuticos para incluir as farmácias como estabelecimentos prioritários no plano de Protecção Civil em situações de catástrofes.
Helder Mota Filipe deslocou-se hoje a Leiria para visitar o laboratório do Grupo Beatriz Godinho, reunir com o presidente do Município de Leiria e com responsáveis pela Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, assim como farmácias em algumas freguesias.
Na bagagem trouxe um desafio, que foi prontamente aceite pela autarquia: avançar com um projecto piloto que identifique farmácias em pontos estratégicos, que possam continuar a funcionar, mesmo quando há falha de electricidade ou comunicações, garantindo a toda a população o acesso a medicamentos.
“O repto lançado foi reconhecer a importância do circuito do medicamento na garantia dos cuidados de saúde numa situação de emergência. Nesse sentido, deve haver uma forma de poder envolver as farmácias comunitárias, mas também os laboratórios de análises clínicas de proximidade, nesta resposta estruturada numa situação de catástrofe ou de emergência”, adiantou o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos.
Helder Mota Felipe ficou satisfeito com o "interesse demonstrado" pelo Município de Leiria em “discutir como é que no futuro se pode melhorar esta resposta também na garantia do acesso ao medicamento e de outros cuidados de saúde, onde os farmacêuticos também estão envolvidos, como as análises clínicas”.
Concordando com a sugestão, Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, admitiu que a ideia pode ser alavancada por Leiria, sugerindo que haja uma farmácia no norte, centro e sul do concelho, com acesso a gerador e a um equipamento de comunicações 'starlink', que possa servir a população daquela zona. Além disso, as farmácias que forem seleccionadas poderão “receber os ‘frios’ das outras", numa parceria, para garantir a refrigeração dos medicamentos disponíveis.
Segundo Helder Mota Filipe, durante a tempestade Kristin não houve conhecimento de que tivesse ocorrido alguma “tragédia de perda de vidas humanas ou de doentes que ficassem numa situação crítica por não terem tido acesso aos medicamentos”.
“Podemos assumir que a gestão foi muito positiva e que durante todo o processo não identificámos nenhuma situação que pusesse em risco a vida ou a integridade das pessoas por falta de acesso a medicamentos”, concretizou.
Para Gonçalo Lopes, que elogiou o esforço desenvolvido pelas farmácias comunitárias durante a tempestade Kristin, “o fornecimento do medicamento em períodos de ausência de energia e de comunicações deverá ser analisado naquilo que é o planeamento de protecção civil".
"Vamos desenvolver com as farmácias de Leiria e com a Ordem, um plano para ficar definido, a maneira de podermos ultrapassar situações futuras da ausência de energia e de comunicações”, afirmou, sublinhando que as farmácias serão consideradas “instituições prioritárias”, no fornecimento de energia e reposição da normalidade, passando a estar “ao nível da área da saúde, pelo facto de o fornecimento do medicamento ser muito importante”.
Para a concretização desta estratégia, a autarquia irá agendar uma reunião com as farmácias do concelho e com a Ordem dos Farmacêuticos, “para definir um plano de prevenção futuro para situações destas, de modo que haja um accionamento mais imediato”.
“A resposta dada foi excepcional, mas queremos agora concretizar isso numa linha de planeamento que possa servir de exemplo para o resto do país”, rematou.
Na visita ao laboratório do Grupo Beatriz Godinho, Maria Beatriz Tomaz revelou que nos primeiros dias os laboratórios de análises funcionaram apenas para dar resposta a situações urgentes.
Helder Mota Filipe explicou que a visita a Leiria pretendeu fazer "um ponto de situação no local relativamente à forma como os farmacêuticos nas diferentes áreas de actividade, nas análises clínicas, na farmácia comunitária, na distribuição e no hospital, viveram a tragédia da tempestade que assolou Leiria e, ao mesmo tempo, como é que responderam às necessidades resultantes da tragédia".