Sociedade
Bajouca (des)espera por saneamento básico
Taxa de cobertura desta freguesia de Leiria ronda os 60%. Câmara tem em curso projectos para estender a rede, a executar este ano e no próximo
Sandra Pedrosa reside em Bajouca de Baixo, um dos lugares da freguesia de Bajouca, no concelho de Leiria, que ainda não tem saneamento básico. Para resolver o problema, socorre-se do serviço de recolha de fossas, disponibilizado pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, que assumem “até seis” despejos por ano. Os restantes – “chego a fazer 12” – são custeados pela moradora, “a 170 euros cada”.
“Pago mais para ter um serviço essencial”, lamentou-se Sandra, na última reunião descentralizada da Câmara de Leiria, que decorreu na Bajouca, onde a falta de saneamento na freguesia foi reportada por vários intervenientes. Segundo Sandra Pedrosa, há “muitas pessoas” que não recorrem ao serviço de recolha de fossas, uns por considerem que “é um remendo”, outros por entenderem que é uma forma de “atrasar a obra”. Em alguns desses casos, recorre-se a “opções criativas que não são amigas do ambiente”, com as águas residuais a serem “lançadas a céu aberto”.
Também o presidente da Junta, Sílvio Cabecinhas, abordou o assunto, referindo que, a recente crise, provocada pelo temporal, expôs a necessidade de concluir a rede de saneamento. “Se o sistema estivesse completo, não precisávamos de estação elevatória, que não funcionou devido à falta de energia”, alegou o autarca, que disse ser ainda preciso “pensar a gestão das águas pluviais”.
A falta de saneamento está também a ter impacto na obra da creche do Centro Social da Bajouca, que terá de construir uma fossa e instalar bombas, o que encarecerá a empreitada, advertiu João Pedrosa, presidente da direcção da instituição.
Reconhecendo o problema, o vereador das Obras Municipais, Ricardo Santos, lembrou que, em 2017, a taxa de cobertura de saneamento na freguesa era de “zero por cento” e que, com o conjunto de empreitadas executadas desde então, ronda agora os 60%. Segundo o vereador, a intenção é, “no curto prazo”, estender a rede, com prioridade à zona de Andrezes, servindo o pavilhão, a futura creche e as habitações envolventes, prevendo-se que a empreitada avance ainda este ano.
Já em 2027, haverá uma segunda fase, que abrangerá as povoações de Marinha do Engenho, Matos e parte da Ribeira da Bajouca. Além da “orografia” e da dispersão dos lugares, Ricardo Santos aponta uma outra dificuldade à execução do saneamento na Bajouca, que se prende com o facto de os emissários em alta da Águas do Centro Litoral “não chegarem a todos os quilómetros a que estavam obrigados”.