Sociedade

“A habitação é um direito. Sem ela nada feito.” Cidadãos de Leiria manifestam-se em solidariedade com Lisboa e Porto

20 out 2026 21:15

Concentração decorreu ao final da tarde no Largo da República e incluiu mensagens de defesa para uma habitação digna

Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Ricardo Graça
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Ricardo Graça
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Ricardo Graça
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Manifestação em Leiria pelo direito à habitação
Ricardo Graça

Ainda não eram 19 horas e já havia um grupo de cidadãos reunidos no Largo da República, em Leiria.

A concentração, marcada em cima da hora, juntou cerca de 50 pessoas para mostrarem a sua solidariedade para com os cidadãos de Lisboa e Porto que sofreram “bastonadas e pontapés” da intervenção policial, quando ordenou a retirada das tendas.

Exibindo cartazes onde se lia “direito à habitação está consagrado na Constituição” ou "só há liberdade a sério quando houver paz, pão, habitação, saúde e educação", entre outras mensagens, os manifestantes também gritaram palavras de ordem.

“Casas para morar e não para especular”. “A habitação é um direito. Sem ela nada feito”. “Não se resolve o problema da habitação à bastonada” foram algumas das frases ouvidas.

Aos jornalistas, António Gonçalves avançou que que a “luta pela habitação tem de ser descentralizada”, porque o problema “é transversal a Portugal inteiro”.

O porta-voz do movimento Porta a Porta destacou que “os pontapés e bastonadas” não resolvem o problema e criticou a "demonstração feia do Governo" e a "violência e ódio"

“O que temos estado aqui a exigir é exactamente o que os nossos amigos: o direito à habitação, a queda desta lei dos arrendamentos e o aumento das rendas. Temos de continuar a lutar pelo direito à habitação”, reforçou.

Como soluções apontou "medidas viáveis e legítimas" a começar pelo chumbo à nova lei do arrendamento, mas também “a criação de habitação pública”.

Habitação social é das mais baixas da UE

“Portugal tem cerca de 2% [habitação social], o que é baixíssimo para o nível da União Europeia. Além disso, temos também defendido, por exemplo, que a banca seja obrigada a controlar as taxas de juros, porque mesmo os proprietários não estão em grandes situações”, constatou.

António Gonçalves desafiou ainda a população a juntar-se à manifestação, em Leiria, no dia 14 de Novembro, que terá concentração na Fonte Luminosa.

"Leiria também tem graves problemas no nível da habitação” e “como em quase todos os outros sítios, a habitação pública quase inexistente”, disse, ao notar que este é "um dos distritos onde houve um dos maiores aumentos em termos de preço das rendas".

Preços de "850 euros, 900 euros por um T2, e, muitas vezes, 1.300 por um T3" levam a que pessoas em situação de violência doméstica se mantenham em casa com o agressor ou casais que se separam, mas têm de continuar a viver juntos.

Cidadãos sobrevivem

António Gonçalves exemplificou ainda com o seu caso, que aos 30 anos ainda se vê obrigado a viver com os pais, mesmo trabalhando há cinco ou seis anos ou adultos que “vivem em quartos, como se ainda estivessem numa situação estudantil”.

“Isso não é maneira de viver. É sobreviver", criticou.

Reconhecendo que o problema da habitação também atinge as forças policiais, cujos salários são baixos, o porta-voz do movimento Porta a Porta, deixou no ar: "vejam se querem estar do lado de quem está a oprimir as pessoas que se estão a manifestar, quando também têm este problema,  ou se querem estar do lado dessas pessoas que estão na rua a exigir que isto seja resolvido".