Entrevista

Isabel Camarinha: “Muitas empresas distribuíram dividendos de milhões em plena pandemia”

6 fev 2021 12:48

A secretária-geral da CGTP defende que os apoios nesta fase devem ser apenas para empresas que realmente deles necessitem, e não para grandes grupos com "milhões de euros de lucros”

"Não há reconhecimento nem valorização das carreiras e das profissões"
Ricardo Graça
Raquel de Sousa Silva

Entrou em vigor no início do ano o salário mínimo de 665 euros. É suficiente?
Para a CGTP este valor é insuficiente. Temos uma reivindicação: que se atinjam no mais curto prazo possível os 850 euros. Não é um valor que fomos buscar dentro de uma cartola, tem a ver com o estudo que fizemos do que é necessário em termos de salário mínimo para garantir a dignidade de vida aos trabalhadores, tendo em conta o custo de vida. Quando apresentámos esta proposta nunca dissemos que era para ser aplicada no imediato. Consideramos é que este aumento de 30 euros no salário mínimo face a 2020 não é suficiente para garantir esta dignidade. Nem para garantir a outra vertente da nossa fundamentação, que é o aumento geral dos salários, rompendo com este modelo de baixos salários, de precariedade, que faz com que a nossa economia não se desenvolva.

Defende um aumento de 90 euros…
Para a CGTP, a questão da defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, nomeadamente em termos do seu poder aquisitivo, de terem um salário que lhes permita uma vida digna, está intimamente ligada com a necessidade que temos de alterar este modelo e de, assim, contribuir para o desenvolvimento do País. Esta epidemia veio demonstrar a necessidade de resposta a esta nossa reivindicação, porque já vimos que se acentuaram as desigualdades, aumentou a pobreza, diminuiu brutalmente o poder aquisitivo dos trabalhadores e das suas famílias, e dos reformados, o que fez com que baixasse o consumo e isso prejudica as empresas e a economia. É preciso que a produção aumente, para que as nossas empresas tenham viabilidade, mas isso só se consegue se houver poder aquisitivo. O salário mínimo tem aqui uma importância muito grande, associado ao aumento geral dos salários que reivindicamos. Apresentámos a proposta de 90 euros para todos os trabalhadores em 2021. Mas o que está a acontecer é que por parte de muitas associações patronais e de muitas empresas nem sequer há abertura para negociar.

Muitas empresas garantem não ter condições para pagar salários mais altos…
É um argumento falacioso. As empresas não estão todas no mesmo patamar. Os salários dos trabalhadores têm um peso bastante reduzido naquilo que são os seus custos. Em média, rondam os 16%. O que as micro, pequenas e médias empresas precisam, nesta situação que estamos a viver, é de apoios do Estado que fomentem a sua viabilidade, que garantam que podem ultrapassar esta situação epidémica e que quando ela terminar regressam à normalidade em condições de garantir os postos de trabalho e os salários. Subindo os salários, haverá mais consumo, logo mais vendas e mais produção. As empresas também ganham com isto. Os apoios têm de ser dados às que de facto necessitam, que não é o que tem acontecido.

Como avalia as medidas de apoio destinadas às empresas nesta fase?
Não obstante ter havido já alguma alteração em relação a medidas anteriores, os apoios conhecidos continuam a ser acessíveis a quem deles não precisa: grandes grupos económicos, grandes empresas que têm tido milhões e milhões de euros de lucros. Muitas delas distribuíram dividendos de muitos milhões já em plena pandemia. E acederam aos apoios do Governo. Isto não faz sentido absolutamente nenhum. Somos todos nós quem paga. As micro, pequenas e médias empresas têm muito mais dificuldades, mesmo do ponto de vista do processo para aceder aos apoios. Para estas, os apoios deviam ser agilizados. E devem ser para manter os p

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