Entrevista

Entrevista| Pedro Portela: “Ao jogar contra os melhores vou testar verdadeiramente a minha qualidade”

19 jul 2018 00:00

Após dez temporadas no Sporting, o menino de Leiria vai testar limites num dos melhores campeonatos de andebol. Vai sozinho para França e tratar da casa não o amedronta.

Quando é que vai?

Vou na próxima segunda-feira, dia 23. De 24 a 29 rumamos aos Pirenéus para uma acção de team building, com rafting e karting. Só depois é que vamos entrar na pré-época normal.

Já conhece Tremblay-en-France?

Já lá fui fazer os exames médicos e conhecer a casa. Gostei muito do que vi, é um bom clube. Para uma primeira experiência no estrangeiro é o ideal para mim. Acho que vou jogar muito tempo, que é o que eu mais quero.

É um clube de uma dimensão completamente diferente da do Sporting.

Sim. O Sporting é ecléctico, mas, acima de tudo, um clube de futebol. Já o Tremblay é um clube exclusivamente de andebol. No Sporting temos todas as condições. Não lavamos a roupa em casa e, em França, vou ter de ser eu a lavar. Dão-nos as coisas é nós é que temos de tratar delas. Mas o Tremblay é um clube organizado e tem todas as condições para poder crescer.

Onde fica a cidade?

É a norte de Paris, a dez minutos do aeroporto Charles de Gaulle. Tenho comboio para ir até Paris e vou ter carro cedido pelo clube.

O Tremblay-en-France Handball é uma equipa de meio da tabela. Conhece alguns dos seus novos colegas?

Conheço alguns, grandes nomes que passaram pela selecção francesa, como o Samuel Honrubia ou o Patrice Annonnay.

No Sporting tinha uma carreira estável, estava confortável, acabado de ser bicampeão. O que o fez, aos 28 anos, querer mudar?

Estava muito bem no Sporting, mas a verdade é que sempre tive o sonho de jogar no estrangeiro. À medida que fui jogando na Liga dos Campeões e tendo mais jogos pela selecção nacional, esse desejo foi crescendo. Queria conhecer os meus limites, ter novos desafios, e tendo uma boa proposta fiquei motivado, até porque o campeonato francês é um dos melhores do mundo.

Pavilhão novo, casa sempre cheia...

Sim, é algo comum no campeonato francês. E também há um grupo de adeptos que acompanham sempre a equipa nos jogos fora. É bom, porque vou jogar todas as semanas com os melhores do mundo, em pavilhões sempre cheios. Isso também fez com que quisesse experimentar, porque em Portugal não existe essa cultura.

Já falou com o treinador?

Viu muitos vídeos meus e está a contar comigo para poderem fazer melhor.

Explicou-lhe por que razão foi o escolhido?

Já queriam contar comigo no ano passado, mas não se proporcionou. Este ano, então, chegámos a um entendimento. Achei que era uma boa altura para experimentar. Claro que primeiro informei-me com atletas portugueses que estão em França, como o Ricardo Candeias e o Wilson Davyes, porque não podemos ver apenas a parte desportiva, mas também as exigências do estado e as questões fiscais. Achei por bem ir.

Vai sozinho?

Vou sozinho, sim, e vou viver sozinho.

As tarefas da casa vão ter, então, de ficar por tua conta.

Não faz mal. Já estou habituado e já as domino bem.

Já fala francês?

Un petit peu. Já estou a ter aulas, mas lá vou ter uma pessoa que me vai ensinar. Falta-me a prática, ter conversa, preciso de ouvi-los a falar.

O campeonato é muito diferente do português?

Além de ser um dos dois melhores do mundo, é um tipo de campeonato que gosto, mais físico. A equipa também se enquadra, porque gosta de jogar rápido, o que me pode ajudar. Sentiram que podia ser uma mais-valia, é óptimo. São dois anos de contrato.

A experiência em França vai permitir colmatar os seus pontos fracos?

O processo de formação, mesmo para os melhores do mundo, nunca termina. Acredito que ainda posso melhorar sob o ponto de vista defensivo e também ao nível da finalização. Pouca gente sabe, mas vejo as minhas percentagens de eficácia no final dos jogos e é algo que tento melhorar de uma época para a outra. Ao ir para fora e jogando contra os melhores vou testar verdadeiramente a minha qualidade. Há muitos jogadores que quando apanham estes guarda-redes melhores sentem-se mal, porque têm dificuldades em marcar. Saber que consigo marcar aos melhores é um teste que quero fazer.

É por causa dessa atenção à estatística que o Pedro é muito mais um andebolista de remate forte do que de habilidades?

Tive treinadores que disseram para eu fazer o que quisesse desde que metesse a bola dentro da baliza. Não arrisco em habilidades, o máximo que faço são chapéus. Se é mais fácil meter debaixo da perna do guarda-redes e sei que assim a bola vai entrar, acho preferível a uma rosca espectacular. Jogo pelo seguro. Andebol é eficácia, mas posso melhorar ao nível da habilidade e treinar algum remate que me permita ter mais soluções.

A família apoiou esta decisão?

Para eles estava bem, estava pe

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