Andebol de Leiria em risco de ser gerido a partir de Lisboa

Desporto

23 Agosto 2018

Andebol de Leiria em risco de ser gerido a partir de Lisboa

A Associação de Andebol não tem candidatos para substituir Mário Bernardes, que não vai a votos. Se não aparecer uma lista, a associação corre o risco de ser gerida pela Federação.

A Associação de Andebol de Leiria (AAL) não tem candidatos para substituir Mário Bernardes, que dirige a instituição há quase 20 anos. O dirigente já fez saber que não se recandidata e após a realização de uma Assembleia Geral para eleger uma nova direcção não apareceu qualquer lista.

Com a nova época à porta, se a situação não se inverter, Leiria corre o risco de ver a Federação de Andebol de Portugal assumir, a partir de Lisboa, a gestão da Associação, nomeando directores para o efeito.

Mário Bernardes explica que a sua vida profissional mudou e deixou de “ter tempo”, pelo que não tem condições para continuar à frente da AAL, onde não era remunerado. “Também já é tempo de dar a vez a outros e de aparecer gente nova, com outras ideias. O mandato termina este ano e quisemos antecipar as eleições para que uma nova direcção pudesse começar já a preparar a próxima época, mas não apareceram listas”, afirma.

A preocupação do presidente foi aprovar as contas – passaram com a abstenção dos clubes -, para deixar esse assunto resolvido. “Levantaram-se alguns problemas, porque mudámos de técnico de contas e o novo gabinete não estava ainda muito por dentro do funcionamento de uma associação”, justifica Mário Bernardes, garantindo que prestou todos os esclarecimentos pedidos, embora admita que a prestação de contas foi feita “um bocado à pressa”, precisamente para se poder marcar eleições.

Os dois principais clubes de Leiria, Juve Lis e Sismaria, consideram que tem havido um “marasmo nos últimos anos”, o que não entusiasma e até trava o aparecimento de interessados para assumir o cargo de presidente.

Célia Afra considera que são os “clubes o motor do andebol da região” e que a associação não contribuiu para o “crescimento da modalidade”. “Não aparecem novos clubes, nem técnicos de formação” e a gestão “limita-se à organização de provas. São os clubes que têm feito o seu grande trabalho”, lamenta.

“Não são os clubes que estão em desarmonia com a associação. Houve muito laxismo da parte da associação. O Mário tem uma lógica que se cinge à gestão do dia-adia. Não houve trabalho que permitisse melhorar o andebol. [LER_MAIS]  Somos uma associação com algum peso e quase não reunimos, nem sabemos que as nossas reivindicações chegam à Federação”, acrescenta Rui Gonçalo, dirigente da Sismaria.

Rui Gonçalo considera que é difícil encontrar alguém para assumir a associação, devido ao “desconhecimento” do que se passa na AAL. “Por exemplo, não sabemos qual a dívida aos árbitros”, clarifica. O dirigente da Sismaria critica ainda que nenhum dos clubes que estão na 2.ª divisão nacional tenha sido consultado para se pronunciar sobre as alterações aos regulamentos. “Não sei se a associação foi contactada pela Federação, mas ninguém nos perguntou nada.”

A dificuldade em encontrar substituto para Mário Bernardes é justificada por Pedro Gomes, presidente do SIR 1.º de Maio, pelo facto dos dirigentes de clubes não poderem integrar uma lista à associação. “Já é difícil encontrar pessoas para os clubes, quanto mais alguém que não esteja no meio, ainda para mais num cargo não remunerado. Se fosse o futebol...”

Além disso, “tem havido alguma inércia e a Federação não respeita a associação de Leiria”, lamenta. Todos concordam que só unidos é que vão conseguir criar uma lista e impedir que a Federação nomeie uma comissão administrativa, assumindo o controlo a partir de Lisboa. “Seria muito mau para o andebol de Leiria”, reconhece Mário Bernardes, que já há algum tempo informou os clubes que não iria continuar.

Os dirigentes da Juve, Sismaria e 1.º de Maio concordam e garantem que não irão permitir que a Federação assuma a AAL, estando a desenvolver- se contactos para ser criada uma possível lista. “Têm de ser os clubes a unir-se e a tentar sugerir nomes para que seja criada uma lista. Mas não é fácil”, acrescenta Pedro Gomes.

Já Rui Gonçalo acredita numa solução, mas apela a uma “maior intervenção” do presidente da Mesa da Assembleia Geral. “Já devíamos ter sido convocados para uma reunião, mas onde o único ponto fosse discutir assuntos relacionados apenas com as eleições”, acrescenta o dirigente da Sismaria.

“A principal qualidade do Mário é o consenso, pelo que ele, melhor que ninguém, sabe como deve dirigir o processo para ser substituído.” Mário Bernardes explica ainda que não se pode demitir sem uma lista, pois deixaria de poder efectuar pagamentos. “Neste momento, estamos em gestão corrente, mas se me demitir a associação pára, o que não pode acontecer. Leiria tem pessoas válidas e com capacidade para assumir a direcção.”

Da sua passagem pela AAL, o presidente destaca o facto de Leiria estar em “todas as frentes do andebol”.

“Nem sei se há alguma associação que tenha andebol de pavilhão, de praia, em cadeira de rodas e para deficientes intelectuais. Muita coisa foi feita, mas também há sempre algo que fica por fazer. Ao nível da organização da associação as coisas também estão melhores.”

Elisabete Cruz
Redacção Elisabete Cruz elisabete.cruz@jornaldeleiria.pt
© Jorlis - Todos os direitos reservados