Portugueses faltaram em média cinco dias ao trabalho por doença

Sociedade

26 Abril 2018

Portugueses faltaram em média cinco dias ao trabalho por doença

Baixas por doença profissional sem qualquer fiscalização

Os portugueses faltaram, em média, cinco dias por ano ao trabalho por estarem doentes ou para cuidarem de familiares, o que representa um valor económico de 1,7 mil milhões de euros considerando salários, segundo dados de um estudo de 2016.

Os cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) reduziram o absentismo em cerca de um dia e meio. Estes foram os resultados do estudo Índice de Saúde Sustentável 2016 da Nova Information Management School, apresentado há cerca de um ano, que revelou ainda que o absentismo prolongado (mais de 20 dias) está em queda.

Ana Paula Santos, consultora da APS, adianta que “os motivos mais comuns para o absentismo são o stress no trabalho, ansiedade e depressão, causados pelo conteúdo do trabalho e pela falta de reconhecimento”. “A necessidade de assistência a um familiar ou a procura por um novo trabalho também são razões apontadas”, constata.

Segundo esta responsável, os impactos financeiros para as empresas incidem, sobretudo, na “perda de produtividade, horas extraordinárias para outros empregados, diminuição da produtividade total dos empregados, custos incorridos para garantir ajuda temporária, possível perda de negócios e clientes insatisfeitos”.

Gerir as faltas dos funcionários nem sempre é fácil. Ana Paula Santos defende que a “solução para a maioria dos problemas que originam faltas ao trabalho passa, sobretudo, pelo diálogo”.

“É fundamental falar com os colaboradores para apurar os motivos das faltas e tentar encontrar as soluções mais adequadas. Devem ser implementadas práticas que restabeleçam a valorização dos colaboradores e, paralelamente, dar formação aos líderes para que saibam motivar e comunicar com as equipas.”

Jorge Santos, director-geral da Vipex, adianta que na empresa há o cuidado de fazer a rotação das pessoas para evitar os trabalhos repetitivos, típicos do sector da montagem. A rotatividade pode ser difícil no início, porque obriga a que os colaboradores se adaptem a diferentes postos de trabalho, mas depois compensa pelo “bem-estar”.

Baixas por doença profissional
As baixas por doença profissional são outras causas de absentismo. Jorge Santos, também presidente da Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria, afirma que, pelas informações que dispõe, “as pessoas que estão com baixa por doença profissional não são fiscalizadas, ao contrário do que acontece com as baixas por doença natural”.

 [LER_MAIS] Além disso, “não é dada a possibilidade às empresas de, em caso de dúvida, solicitarem uma junta médica, ainda que se disponibilizem para pagar”.

Jorge Santos considera que esta situação “cria desigualdade” entre os colaboradores, “além de aumentar os níveis de absentismo nas empresas, com consequências na sua produtividade”. Mesmo que o empregador denuncie uma suspeita de baixa por doença profissional fraudulenta “não há consequências”.

À Nerlei têm chegado algumas denúncias nesta área. “No âmbito da sua actuação, de imediato procurou inteirar- se do assunto e de encontrar algumas soluções junto das autoridades competentes”, acrescenta Jorge Santos, referindo que não “existem números sobre a realidade do distrito”.

Mas, tendo em conta o relato de empresários associados da Nerlei, este é um problema com “uma dimensão preocupante”.

A Nerlei tem procurado, junto das entidades competentes, “sensibilizar para esta questão, nomeadamente para algumas incongruências da legislação e, sobretudo, para a falta de fiscalização”.

“Já reunimos com o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral e também com o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, a quem apresentámos uma proposta para haver a equiparação das baixas por doença profissional às baixas por doença natural”, para efeitos de fiscalização, revelou.

Jorge Santos entende que “talvez não exista um motivo suficientemente válido para que exista uma diferença da lei no que se refere à fiscalização e verificação por juntas médicas”.

“Será que esse tratamento diferenciado não estará a fazer aumentar os casos de fraudulência de baixa médica por doença profissional?”, questiona.

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