Jovem de Leiria cria vestido de talheres exposto em Manhattan Jovem de Leiria cria vestido de talheres exposto em Manhattan

Sociedade

09 Novembro 2017

Jovem de Leiria cria vestido de talheres exposto em Manhattan

Estudante de design gráfico em Nova Iorque.

É natural de Leiria, tem 20 anos e está no terceiro ano da licenciatura em design gráfico na School of Visual Arts, em Manhattan, Nova Iorque. Recentemente, Filipa Querido Mota viu um trabalho seu ser seleccionado para a exposição One-of-a-Kind Luxury, organizada pela Madison Avenue Business Improvement District em parceria com várias lojas de luxo desta rua daquela cidade americana, para a promoção dos bens e serviços das mesmas.

Esta exposição prolonga-se até 15 deste mês e o vestido criado pela jovem de Leiria é um dos 18 trabalhos seleccionados. O que tem de especial? Foi feito com talheres. Isso mesmo: garfos, colheres e conchas. A jovem criou ainda uma mala.

Como é que surgiu a ideia? Kevin O'Callaghan, professor da aula de 3D Design, desafiou os alunos do terceiro e quarto anos a escolherem um objecto e a criarem uma peça de vestuário ou acessório a partir do mesmo. “Quando o projecto me foi apresentado, pensei logo em como os dentes de garfos, quando encaixados, se assemelham a um zíper em ponto grande. A minha primeira ideia consistia em criar uma mala com utensílios de cozinha e garfos a servirem de fecho”, explica a jovem ao JORNAL DE LEIRIA.

Mas aquele professor sugeriu que criasse também um vestido e usasse a mala como algo complementar. “Os garfos foram, por sorte, perfeitos para o design do vestido, uma vez que quando dispostos lado a lado e em camadas criam um efeito de franja, semelhante aos vestidos flapper usados nos anos 20”.

A fazer o penúltimo ano do curso, Filipa Mota tem esperança que o facto de o trabalho ter sido escolhido para esta exposição lhe abras portas no futuro, em termos profissionais. “Ter uma peça feita por mim e o meu nome numa das áreas mais luxuosas de Manhattan é uma distinção muito grande.

 [LER_MAIS] Os trabalhos têm recebido muita atenção, não só da parte dos media como também de instituições como o Metropolitan Museum of Art e estúdios de design sediados em Nova Iorque”, conta a jovem. “Têm sido também extremamente gratificantes os elogios que tenho recebido por parte de pessoas anónimas, que por acaso se deparam com a peça enquanto caminham pela avenida Madison”.

“Idealmente, esta exposição permitirme-á criar contactos importantes na indústria”, espera. Filipa Mota não tem ainda uma ideia muito clara do que fará depois de terminar o curso. “Tenho um gosto enorme pelas áreas de design editorial e de design ambiental, apesar de gostar de todas as vertentes de design gráfico. Quanto a onde…gosto imenso de viver em Nova Iorque. É uma cidade super artística e com muito potencial para futuros designers. Talvez quando terminar o curso queira ficar inicialmente aqui e depois... quem sabe?”.

O mundo das artes sempre foi uma das paixões de Filipa Mota. “Aos três anos, quando na escola me perguntaram o que queria ser quando fosse grande, desenhei uma pintora com uma taça de fruta desenhada numa tela. À medida que fui crescendo, desenvolvi um interesse por moda, houve uma altura em que quis ser designer de moda. Mais tarde, no secundário, interessei-me por marketing e publicidade, embora tivesse sido sempre mais sobre a parte artística do que propriamente a técnica”.

O interesse pelo design surgiu “a sério” depois de um ano de estudos nos Estados Unidos. No ensino secundário, em Leiria, a jovem estudou Ciências, mas para o 12.º ano candidatou-se uma escola internacional em Boston, Massachusetts.

“Foi depois desse ano que finalmente levei o meu interesse por arte e design a sério e decidi candidatar-me à School of Visual Arts (SVA), que tem um dos cinco melhores programas de Design Gráfico nos E.U.A”. O facto de estar localizada em Nova Iorque “aumenta exponencialmente as oportunidades e recursos acessíveis aos alunos”.

Ao longo dos dois últimos anos, Filipa Mota aceitou vários trabalhos na SVA, que fez ao mesmo tempo que os estudos. “Estou de momento à procura de uma oportunidade com estúdios de design para o próximo semestre e também para o verão”, explica.

 

Peça levou 382 garfos
Um vestido que “Lady Gaga usaria”


“Infelizmente”, o vestido criado por Filipa Mota não pode ser usado. “É muito pesado, foi criado a partir do manequim, com a exposição como único propósito”, explica a jovem ao JORNAL DE LEIRIA. “Um comentário que têm feito bastante é que parece um vestido que a Lady Gaga usaria”. Para fazer a peça, foram precisos 382 garfos, 59 colheres e duas conchas de sopa. Já a mala é composta por duas conchas e cerca de 50 garfos. Não foi fácil arranjar o material necessário. Foram precisas “inúmeras idas ao IKEA, a lojas de utensílios de cozinha, e a algumas lojas vintage e de produtos em segunda mão, e várias rupturas de stock” até que a jovem conseguisse obter tudo o que precisava.
Raquel Sousa Silva
Redacção Raquel Sousa Silva raquel.silva@jornaldeleiria.pt
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