Um Viagem pelo Distrito Sem (Grandes) Surpresas.

OpiniĆ£o

09 Outubro 2017

Um Viagem pelo Distrito Sem (Grandes) Surpresas.

Escrevi, neste jornal, que os copos e os tremoços não iriam conduzir Fernando Costa a um bom resultado em Leiria.

A única surpresa foi mesmo a dimensão da derrota. A par de uma campanha de marketing, absolutamente medonha, o candidato do PSD colou-se ao líder do seu partido de quem já ninguém quer, sequer, ouvir falar, defendendo, implicitamente, uma visão duplamente “passadista” (Passos e passado).

Com Fernando Costa, o PSD em Leiria passou de fraco a irrelevante, o que levará desta vez, estou seguro, a um profundo debate interno e a uma total alteração de paradigma a partir do “fundo do poço”. O PSD distrital e o PSD do concelho de Leiria precisam de ser liderados por pessoas credíveis, respeitadas e de consenso.

Tinta Ferreira, Presidente da Câmara Municipal das Caldas, daria um excelente líder distrital e o médico Rui Passadouro seria um grande nome concelhio em termos de seriedade, credibilidade e do, absolutamente necessário, consenso.

Em Pombal, provou-se igualmente que a cerveja e o álcool em excesso também não dão votos, assim como não resultam campanhas eleitorais assentes em bailaricos parolos. Além de que, quando se dispõe de nomes fortes eles devem ser colocados em lugares cimeiros das listas e não em lugares recuados, como também escrevi neste jornal.

Em Ansião, onde inicialmente pensei que os truques de Rui Rocha passassem por entre os pingos da chuva, fui percebendo, através do entusiasmo de dois grandes ansianenses e meus queridos amigos - Arlindo Francisco e Manuel João Alves, que a jogada das cadeiras podia não resultar para o ainda líder distrital do PSD. A mania de que se é “dono do trono”, caiu por terra para Fernando Marques em Ansião, como caiu para João Marques em Pedrógão Grande.

 [LER_MAIS] Em Porto de Mós, tal como em Pombal, duas Câmaras onde o Partido Socialista poderia ter ganho com relativa facilidade, faltou a inteligência e a estratégia da federação em saber escolher os interlocutores certos que mediassem o “diálogo” necessário.

Em Figueiró venceu a seriedade e a competência, um slogan estafado, mas neste caso bem verdadeiro. Jorge Alves, felizmente, não tem de ficar refém de gente desonesta e corrupta. A encerrar esta análise, deixo aqui uma vénia a um grande autarca e extraordinário ser humano chamado Fernando Lopes que, durante mais de 20 anos, fez parte e liderou o executivo da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, incluindo nestas eleições onde, mesmo sabendo que o PS dificilmente ganharia, deu a cara até ao último dia pelo seu partido.

Uma reflexão final relativa às eleições autárquicas, que me surgiu quando vi o Presidente da República a votar, como sempre fez, em Celorico de Basto, de onde brotam as suas origens.

Acho profundamente injusto, porque desigual, e por isso de constitucionalidade duvidosa, que aqueles que são portadores de Bilhete de Identidade, os vitalícios, possam votar por afeto na sua terra natal se assim o entenderem e outros, os “cartonados”, tenham de votar amarrados ao seu cartão de cidadão, que ironicamente lhes limita o pleno exercício da cidadania, proibindo-lhes qualquer escolha quanto ao local para exercício do seu direito de voto.

*Jurista/Autor
Texto escrito de acordo com a nova ortografia

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