O meu conselho é que se case. Se encontrar uma boa esposa, será feliz; se encontrar uma má esposa, tornar-se-á filósofo
Sócrates

Login
Username
Password
Registar
Esqueci a Password
Edição 1365
Distrito de Leiria
Artigos em destaque

Ensino tem falta de homens

O ensino básico e secundário está cada vez mais nas mãos das mulheres.

Manuel Coutinho, psicólogo, explica que também existem “mais homens que mulheres na sociedade”. O especialista defende o “equilíbrio entre géneros, nem que para tal fosse preciso recorrer ao sistema de quotas”.
“Tudo o que é desequilibrado é mau”, salienta o pediatra Mário Cordeiro. E “se a educação, nos seus diversos aspectos, designadamente o parental, deve ser feita por mães e pais, não há razão para que o ensino/aprendizagem na escola, em qualquer idade, seja remetido para as mulheres”, acrescenta.
Para Manuel Coutinho, os professores entendem melhor as fases dos rapazes, pois “vivenciaram o mesmo” e “até conseguem arranjar estratégias mais adaptadas para ultrapassar os problemas”. O mesmo se passa entre as professoras e as raparigas. “É preciso ter professores homens e mulheres para ambos se colocarem no lugar do aluno.”
Filipe Bragança, professor do 1º ano da EB1 Amarela, em Leiria, há cinco anos que se habituou a ser o único homem entre mulheres.
“As vantagens em ser homem é o respeito que os alunos têm. Basta olhar para eles que ficam mais intimidados. Há mais silêncio”, afirma, salientando, que o “carinho e afecto” também não faltam e “as meninas afeiçoam-se mais.”
Os jovens aceitam a disciplina dos professores de uma forma mais natural. “As crianças, de uma maneira inconsciente, reagem ao tom de voz do homem, à complacência física e sentem-se ameaçados mesmo que seja uma pessoa pacífica”, diz Manuel Coutinho. O psicólogo afirma que, por norma, “as mulheres verbalizam mais e os homens agem”.
O especialista explica que “homens e mulheres ensinam de maneira diferente”, porque têm “por detrás experiências diferentes”. Citando um estudo efectuado com crianças que tinham como educadores homens, Manuel Coutinho refere que “ao fim de algum tempo estavam mais autónomas, porque os homens não recorrem tanto à solicitude e deixam as crianças ´desembaraçarem-se´ das situações”. Ao contrário, as mulheres “resolvem as situações pelas crianças” e “têm uma maternalização na função educativa”.
Mário Cordeiro considera também que a sociedade ainda sofre da “visão ultrapassada” do que é uma criança: “um ser que apenas precisa de cuidados, sendo esses cuidados prestados pelas mães”. Assim, ao irem para a escola “(ainda há pouco designada por “escola maternal”), as crianças precisariam de uma mãe putativa”.
Para o pediatra esta é uma ideia “errada”, pois a “escola deveria,  reflectir, na sua composição, as duas expressões de género – no fundo, representantes psicológicos da mãe e do pai”.
O papel dos dois géneros no desenvolvimento da criança tem “aspectos semelhantes”, mas “muitos diferentes”, refere Mário Cordeiro, ao considerar essa diversidade “necessária a um bom desempenho, harmonioso e equilibrado”.
Sendo a “escola um lugar de crescimento e ousadia por excelência (em contraposição à casa, que é o lugar de regressão), a estimulação e orientação escolares até se justificariam mais que fossem feitas por pessoas do sexo masculino, dado que representam o pólo da ousadia e do avanço”, diz o pediatra.
“Os homens são mais objectivos e resolvem os assuntos mais rapidamente”, afirma Filipe Bragança. O psicólogo Manuel Coutinho reforça que os “homens têm gestos mais rectilíneos e as mulheres curvilíneos”: Logo, o sexo masculino “é mais pragmático e tende a resolver os problemas com soluções mais rápidas”.

Diferença de maturidade prejudica rapazes
Manuel Coutinho diz que existem menos homens no ensino e que tal se deve ao facto de haver mais mulheres com habilitações superiores. A justificação, segundo o psicólogo, prende-se com o processo de maturidade que é diferente entre géneros.
“A entrada predominante das mulheres nos cursos superiores e intermédios, fruto do facto de a competição, ao nível do 12º ano, se fazer entre mulheres e miúdos, em termos de maturação, leva a que “eles” estejam, à partida, em número muito reduzido”, acrescenta Mário Cordeiro.
Logo, as “classificações são inferiores para os rapazes, que acabam por ser desincentivados” e “reclamam atenção através de comportamentos menos próprios”, sustenta Manuel Coutinho. Os que conseguem boas notas “ainda seguem, eventualmente, Engenharia”, mas para o psicólogo “já não existem profissões mais vocacionadas para homens, porque as mulheres dominam um pouco por todo o lado”.


Elisabete Cruz


4-02-2010

VoltarImprimir 
A sua opinião
O Tempo na região
13ºC
Nascer do Sol 7:12
Por do Sol 19:53
Próximos Dias
Agenda Cultural